Texto

Superar os medos

Alguns meses atrás a gripe me pegou. E junto com ela recebi uma amidalite de bônus. Fui no médico, tomei uma porção de remédios e me curei. Beleza.
Uma semana depois de curada, fui ao otorrino pra ver se estava tudo "ok". Pois não é que a doutora me solicita um exame de sangue? Sim, um dos meus maiores temores. Maldito seja o exame de sangue!
Votando para casa, passei o tempo todo pensando na agulha penetrando na minha veia. Fiquei enjoada só de pensar.
Passei a semana fazendo contagens regressivas até o dia do exame e o desespero só aumentava. Na véspera, comi tudo o que tinha direito no jantar para depois enfrentar um jejum de mais ou menos oito horas.
Confesso que sempre fui e fresca e me envergonho por isso. Principalmente quando se trata de agulhas. Não é nem o sangue que me assusta, são as agulhas. Medo. Muito medo.
Bom, o dia do exame finalmente chegou e eu estava convencida de que não poderia continuar daquele jeito. Ora, sejamos corajosas ao menos uma vez! "É apenas uma picadinha", segundo as enfermeiras. Aham... Quero acreditar nisso.
Cheguei na clínica tremendo até bater o queixo. Levei um mangá(história em quadrinhos no estilo japonês) para me distrair, mas não conseguia nem segurá-lo corretamente. Decidi olhar o ambiente. Os telefones tocando, o som do informador de senhas de atendimento, o aquário. Nada disso me distraiu.
Inspira, expira. Inspira, expira... Melhorou.
Não demorou muito e fui encaminhada para a sala de espera do laboratório. Demorou muito menos para a enfermeira chamar meu nome. Droga. Calma Isadora, calma. Todo mundo faz isso.
Ocorreu tudo bem. Senti a agulha sim, mas não doeu nada. Pensei em coisas felizes e engraçadas. Até troquei um "lero" com a enfermeira.
No fim, eu me senti meio fraca e enjoada. Olhei para meu reflexo na janela e eu estava branca feito papel. A enfermeira teve até que fazer uma atividade de anti-desmaio comigo. Que vergonha.
Mas comparado aos meus outros exames de sangue, esse foi o menos pior. Fiquei orgulhosa de mim mesma. Mais um medo superado. Não é tão difícil assim.
Saindo da clínica fiz um belo de um lanche. Acho que o pior mesmo foi ficar oito horas sem comer. Nenhum adolescente merece!

Isadora Muniz
Publicado no Recanto das Letras em 04/07/2009
Código do texto: T1682217

Copyright © 2009. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Indique para amigos
Denuncie conteúdo abusivo

Comentários
27/08/2009 13h22 - Steve Smith
Amiga poeta,seu texto é cheio de sensibilidade,muito bem redigido e profundamente envolvente,uma leitura deliciosa e prazerosa,parabéns!!!!
24/07/2009 20h13 - João Molon Neto
Começa assim Isadora, vencemos nossos pequenos medos, para começar a enfrentarmos os muitos desafios que teremos na vida e vencer nossos maiores medos. Abraço!
05/07/2009 22h48 - Marcella Meine
Definitivamente ficar oito horas sem comer é muito pior que a agulha xDD mas tu foi corajosa amiga, me deixou orgulhosa ;D e claro, continua escrevendo super bem ;*

Sobre a autora
Isadora Muniz
Florianópolis/SC - Brasil, 15 anos
26 textos (1667 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/11/09 02:35)

Como anunciar aqui?