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Texto

| Continuação de 626 http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=306313 dia 19 Mim, A mim cabe-me o poder de te reinventar, porque só te conheço das palavras onde, para mim..., és fabulosa invenção! Tenho alguma dificuldade em perceber-te, porque falamos como se bebêssemos aos golos e cada golo fosse um golo! Sublime, arrasador... Tu não fazes literatura? Isto parece-me só "literatura", uma treta a precisar de "leitura"... Tu és o lado negro da Força! R CANÇÃO SEM SONO aquela com quem viajarei na morte escrevendo poemas góticos até dar vómitos! sem esquecer nenhum dos inesquecíveis momentos onde como versos na prosa descobrimos ser as almas gémeas separadas à nascença cada um com a sua loucura ambos sem cura! é pois com poesia e amor que te escrevo onde na prosa colho para ti a tua rosa aquela cujo aroma SE dilata na inspiração com que cada palavra se acende nesta escrita aflita! porque só com lágrimas se faz a tinta onde corre a nascente do sentir quando afinal é lava sendo esta erupção uma canção sem sono neste a_cor_dar para a poesia para poder es_cre_ver-te! uma paixão na sua forma mais simples a poderosa alma da prosa minha rosa mesmo quando a se_meio em "versos livres" nos quais escrevo a música com esta(s) letra(s)! 19-12-2006 17:05:55 Naveguei e publiquei: http://www.escritacriativa.com/modules/newbb/ viewtopic.php?topic_id=186&forum=4&post_id=773#forumpost773 Acabei de escrever uma crónica - Cornos de Cronos - amanhã deixo a ligação! Apanhado dos últimos dias... dia 19 a mensagem Meteu a mensagem dentro dum garrafão de plástico transparente vazio e atirou-o pelo ar para a varanda da vizinha de baixo, lá dentro uma explicação: Comecei a fazer um diário onde punha as datas em que punha as coisas que punha, não satisfeito com as datas, acrescentava as horas. Dispunha pois de leitura e mais leitura, os dias e as horas. Esqueci-me de pôr umas horas e chateei-me nas horas... A vizinha se poder vir consolar-me?..., sou o vizinho de cima. Sim, conhece-me. Desde ontem, espero que a vizinha do andar. Viajámos sozinhos no elevador, eu sou o puto que anda a deixar crescer o bigode. R dia 20 acto simples Hoje tenho por cenário um dia que passou, na altura em que o dia está a deixar de ser..., para passar a outro. Do acto de escrever/ deixo este acto: ACTO SIMPLES. o poema todos os dias o poema, todos os dias poderia começar deste modo, assim começa por isso me faço naquilo que fazendo me faz a palavra é um suporte de vida! Assim Entre o princípio e o fim das coisas, a realidade, toda ela, mais não é que uma leitura. Assim, aproveitemos uma leitura: «É o véu da língua que desvenda o mundo. O real não está nas coisas nem no mundo mas no intervalo entre eles: o fazer poético é a experiência disto.» evento do momento entre as coisas e o mundo o vento é um seu evento de ar em movimento do pensamento o momento é isto ! dia 22 Nada encontrei, até agora. Pode haver um papel, por aí... dia 23 (do caderno, último duma série:) póstumo palavras excessivas que abandono sem Fé... ficam curiosas como as árvores mortas cadáveres em pé! dia 24 (do caderno:) palavras ocupadas no mistério íntimo deste ministério pessoal e próprio ardem as cascas dos caracóis acabados de comer! dia 25 declaração o poema será breve como palavras feitas antes de ir dormir terá este lirismo todo emancipação amanhã farei amor! Assim dia 26 a ceder... quando o céu se abre jorrando o Sol a sua luz uma estrela próxima acesa e nítida acedo à palavra acesa Assim dia 27 Linda “Gosto de me surpreender com as palavras que escrevo”, estava a pensar escrever esta ideia e já não a desenvolvi. Uma rapariga bonita perguntou-me as horas e fiquei a olhar para ela, para ela devo ter ficado com cara de quem não tinha percebido (cara de parvo). Apontou para o pulso, mostrei-lhe o meu onde também não uso relógio. Só depois destes gestos, tirei do bolso do blusão o telemóvel e lhe disse as horas, 13:57h: São quase duas horas (consegui_u articular). Ela agradeceu e saiu; acabei por voltar a olhar o sítio onde ela estivera, pensando ver o que vira ou procurara ver. Olhar um rosto, uma fisionomia, dando nome à pessoa toda: ela era Linda. (Cara de parvo Seria [o] título do micro conto, se, em vez dum nome para ela, ficasse com um nome para ele.) dia 28 (hoje, vale tudo:) parte das vezes Ao longo destes quase dois anos de Diário Recantual, a maior parte das vezes (tiro “a maior” do título só por economia e equilíbrio), A MAIOR parte das vezes, publiquei no dia seguinte o que escrevi no dia anterior. Quando não assim... estribilho Então é assim... conti_nu_ando Publiquei a quente.!. A palavra solta, jorrando, subindo, caindo... como coisa urgente (!) Dos últimos dias, escolher um texto por dia? Em que dia deixei de publicar?? Quando temos resposta para as pequenas perguntas, as grandes perguntas ganham a sua verdadeira dimensão! Qual o interesse de saber quem foi o primeiro homem? lenda – a alma O primeiro homem ainda dominava mal a linguagem, como os demais elementos da alcateia. Tomavam-se por lobos, o grupo crescera. Haviam combinado por gestos que, no dia seguinte o grupo se dividiria em dois para ter mais facilidade em encontrar abrigo e se movimentar. O primeiro homem era o mais forte e respeitado da alcateia, em torno dele se formara aquela aldeia móvel. Fazia anos, no Verão, o grupo (já foi dada a ideia de alcateia) juntava-se naquele vale abrigado. Onde ursos hibernavam mas animal algum ficava, senão por ignorância, quando ali permaneciam. Havia grutas, fazia anos..., o grupo juntava as ossadas de velhos e velhas, crianças doentes, guerreiros feridos, ali ficavam no Inverno: no ano seguinte eram esqueletos. O primeiro homem disse, deixo o grupo, comigo ficaram as velhas e os velhos. Agora, X e Y, não precisaram de lutar entre eles para saber quem ficará a liderar outro grupo. Houve festa, de X e Y, breve. Todos ficaram com vontade de chorar! O primeiro homem continuou, temos de aprender a falar melhor. Já vou dizer o que penso, primeiro escolham os grupos. Cada um, X e Y, formou o seu grupo. O primeiro homem disse, todos junto somos o Homem, o Homem tem de ser diferente dos outros animais, temos de aprender a falar mais e melhor! Quero pedir a X e Y para ficar com um casal jovem dos seus grupos, crianças-jovens. Ficaram comigo, para o ano os grupos ainda encontraram este grupo vivo! Bateu no peito e foi aplaudido, sobre tudo pelas velhas e velhos que iam ficar, nesse ano ficaram mais. Os dois casais jovens não bateram palmas, mas aceitaram. Ali se formou a primeira escola conhecida agora... Os jovens e as jovens transformaram-se em feiticeiros, o maior feiticeiro de que se perdeu memória foi, o primeiro Homem. Todos podemos ser feiticeiros, a poção das palavras está na nossa posse: só temos de encontrar, guardar e desenvolver palavras mágicas. Aprender a sua posse, fazer a sua escrita: a nossa poção e possessão, a alma deixada pelo primeiro Homem. A alma, é das palavras com maior magia, não morre! Nenhuma religião sabe contar melhor a sua história do que esta lenda: a alma foi criada pelo primeiro Homem, foi ele que a deu a conhecer e a tornou eterna. A alma é uma palavra que é a vida, o legado Verbo! «No princípio era o Verbo!» isto ou A coisa Esqueci o que vinha escrever, tinha chegado a pensar? Parecendo que não é uma bela pergunta: Quando vamos fazer alguma coisa, já pensámos nela? A coisa, magnifica criação de tudo isto. Apanhado dos últimos dias... Começa na continuação... de dia19 dia 29 mulher de sonho estou a pensar enquanto escrevo de novo matéria necessária neste levedar vivo o alimento um prazer até à vista! Assim artigo poético... Faz tempo que não escrevo um artigo poético, acompanhando o/um poema duma breve leitura. Talvez, neste caso, falar do potencial imagético do poema. Nele colhe_rei/ria, vários títulos possíveis: «matéria necessária», «levedar vivo», «o alimento» (pensei... «nu alimento», não o quis a levedar), «prazer», finalmente render-me às possibilidades infinitas de «mulher de sonho», não deixando de mencionar «um prazer até à vista!» e o inicial «estou a pensar» ou o discreto «escrevo de novo»; o poema, quando bem lapidado, é como um diamante, de múltiplas faces, irradiando imagens: a sua/nua luz! |
| Francisco Coimbra |
| Publicado no Recanto das Letras em 19/12/2006 Código do texto: T322782 |
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Sobre o autor

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Francisco Coimbra
Portugal
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