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A Memória do Corpo

Muitas de nossas emoções são reguladas pela memória do corpo, que por sua vez, é diretamente proporcional à intensidade da memória guardada no coração.

Sim, porque há pelo menos dois tipos de memória conhecidos: a emocional e a racional. A última é a que te faz lembrar que a prestação do carro está para vencer. A primeira é aquela que provoca reações químicas e fisiológicas no seu corpo, tais como arrepios, borboletas no estômago, lágrimas, sorrisos.

Quando alguém que amamos parte, leva consigo um pedaço nosso. Do coração, para romantizar. E passam-se meses, anos, e aprendemos a conviver com a perda. Nossa memória racional não nos deixa pensar nisso porque já não faz parte de nossa vida prática.

O problema é que o corpo tem sua própria memória, inteligente e completamente independente da vida chata do cotidiano. E ele sim, sente falta. É a memória do corpo que clama por sua parte perdida.

Se um homem perde a mobilidade de seu braço direito, ele aprende a escrever e desenhar com o esquerdo. Mas seu corpo nunca esquecerá a perda do direito. Ele existiu e se foi. E para alguns privilegiados, ainda está lá.

Por isso dói, a perda.
Tio Miga
Publicado no Recanto das Letras em 15/05/2008
Código do texto: T991127
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Comentários
15/05/2008 21h41 - Mhayah (Máyah Perez)
Não havia pensando sobre esse assunto, bom texto. Abraços

Sobre o autor
Tio Miga
Mogi Guaçu/SP - Brasil, 21 anos, Escritor Amador
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