ONTEM PASSEI POR VERA
Ontem cruzei com Vera em uma rua do meu bairro. Ela ainda está bonita e continua usando aqueles brincos de argola enorme que me fizeram ficar apaixonado. Nos cumprimentamos respeitosamente e não dissemos uma só palavra. Reencontrar um grande amor é meio constrangedor.
Eu conheci esta mulher em um sábado. Cheguei à cozinha para ver o que havia para o almoço. Ela estava lá, conversando com minha mãe. Uma mineira de trinta e seis anos. Eu tinha vinte. Senti seu cheiro imediatamente. Um cheiro moreno, doce, exalado por suas axilas sensuais e pelo olhar matreiro.
Uma semana depois ela passou pela rua enquanto eu bebericava cerveja em um barzinho situado em um local meio isolado. A convidei par um bate-papo e ela – maravilha – aceitou. Papo vai, papo vem, o álcool começou a invadir a vista. Peguei na mão dela, que retirou. Depois tentei beijá-la. Ela desviou o rosto de mim. Mas a minha arremetida foi tão brusca que caímos ambos ao chão. Ficamos rindo.
Nosso encontro foi como juntar fogo e pólvora. Levei-a para o meu quarto, cheio de discos de rock’n’roll espalhados e ali tiramos nossas roupas, nos beijando sem parar. A vagina dela era uma obra-prima da culinária divina. O eflúvio que ela emanava me fez imediatamente voar. Abri seus lábios e comecei a raspar sua vulva com minha língua.
Vera delirava. Depois ela me contaria que, apesar de ter sido casada por mais de dezesseis anos, seu ex-marido não fazia determinadas práticas sexuais com ela. Beijei-a toda e a penetrei. O que eu vi ali me impressionou. Ela gozava abrindo completamente a boca e estava tão lubrificada que encharcou o lençol. Gozamos com olhos nos olhos. Mas eu não retirava o pênis de dentro dela. Permanecia ali até que a excitação voltasse. Tive quatro orgasmos assim.
Depois da cama, saímos para o bar. Bebemos todas. Fumamos. E voltamos para a cama. Eu estava apaixonado por aquela mulher madura, mãe de três filhos, mas que era mais gostosa que todas as garotas que com quem eu trepara anteriormente. Ela também estava apaixonada por aquele garoto meio confuso, metido a intelectual, beberrão, e que gostava de ouvir Tom Jobim, Chico e Caetano.
Logo não poderíamos deixar de nos ver. Nos fins de semana, de manhã eu já ia para a casa dela. Ela me recebia de camisola, o que prenunciava novos acasalamentos. Praticamos inúmeras posições sexuais. ela de quatro, por cima de mim, frango assado e até, juro, o tal do carrinho de mão. Ela não tinha muita experiência com sexo oral. Tive que ensiná-la a chupar sem arranhar o pobre do falo.
Uma bela tarde, depois de muito fodermos , vieram bater à porta. O ex-marido dela viera fazer uma visita. Ela me deixou trancado no quarto e foi para a sala conversar. Fiquei ali por duas horas, folheando, nu, as revistas de moda que Vera tinha no quarto. Ela, por fim voltou. Indagada do porque da tanta demora, ela respondeu que o ex tentava, a todo custo, uma reconciliação, que ela recusou de maneira peremptória.
E assim continuamos a nos amar. Por cinco anos. Assumimos nosso romance em praça pública, estarrecendo a vizinhança. Minha mãe, é claro, ficou uma fera. Acho que se sentiu traída, não sei se pelo filho, se pela amiga, ou por ambos ao mesmo tempo. Mas, por fim, todos aceitaram. Outros casais, de mulher mais velha com rapaz mais novo, inclusive, começaram a se formar. Acho que fizemos uma revolução do amor no bairro.
Eu e Vera viajamos, fomos para o interior de Minas de trem. Fumamos maconha e tomamos chá de cogumelo juntos. O tempo, contudo, é cruel. E algo apodreceu no nosso relacionamento. Uma menina, amiga das filhas dela começou a se insinuar para mim. Quando eu aplicava-lhe um ardente ósculo no muro da casa, fomos surpreendidos por Vera.
Nosso caso começou a desmoronar. Foram muitas idas e vindas. Muitas lágrimas. Até que surgiu uma garota valente, disposta a me tomar somente para ela. E assim nosso caso acabou. Vera ainda foi ao meu casamento. Eu cantei “eu sei que vou te amar” ao violão de meu tio. A noiva detestou a presença da ex-rival na celebração. Mas conteve-se pois estava muito feliz. E agora, depois de tantos anos, de novo eu vejo Vera. Ainda está bonita, ainda usa brincos de argola. Será que ela está com algum amor na vida?
Jimii
Publicado no Recanto das Letras em 23/05/2008
Código do texto: T1001614
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