A boceta de Paloma
- Filho, é chegado o dia em que perderás este vergonhoso cabaço!
O filho, Iango, jovem de dezesseis anos, assentiu com a cabeça. Quanto à vergonha mensurada pelo pai, nem adiantava contestar, o velho era arrogante até os ossos, Iango havia tempos tinha decidido não mais discutir com Jerônimo.
Partiram sem a mãe saber para o prostíbulo da rua 15, aclamado pelos maridos infiéis e odiado pelas esposas traídas.
Em letras garrafais, preenchidas de um tal gás néon, "Brillo" piscava na entrada do bordel pobre mais famoso de São Vicente. O pai foi na frente e trocou umas rápidas palavras com um anão que parecia ser o recepcionista do recinto. Logo uma velhota perua rebocada de maquiagem, se juntou a conversa. O garoto conseguiu distinguir a seguinte frase "Chame-o, Seu Jerônimo, temos uma moça perfeita para a iniciação do rapaz!" Nesse momento, como o previsto por Iango, o pai acenou com a mão. Estava chegando o momento!
Iango adentrou ao estabelecimento, parecia um restaurante normal, mas tinha uma escada que levava às suítes. O pai deu-lhe um tapinha de incentivo nas costas, que de nada aliviou a extrema pressão pela qual passava calado. A tremedeira das pernas ficou evidente quando subiu um degrau de forma desajeitada. Mas no meio da escada uma bela garota ruiva parecia não ligar e com olhar atencioso lhe estendia a mão. Ela lhe perguntou o nome de forma dócil e ele respondeu com voz embargada. Depois seguiram em silêncio para o quarto, enquanto ele começava a se exitar "na marra", olhando os predicados da mocinha, que usava uma saia minúscula, exibindo as pernas de imensa brancura. " Deve ser européia", pensou em meio a um turbilhão esmagador de incertezas e medos. " Papai pediu uma branquinha, como eu sempre quis".
Não quis que apagasse as luzes, tinha medo de desexcitar no escuro, privado de ver aquele apetitoso par de peitinhos carnudos de mamilos rosados. Arrancou a saia da garota por um fecho lateral. Ela escondia o sexo num pervo pudor com as pernas fechadas. Iango não parecia interessado na vagina. Pediu que ela ficasse de quatro, agora com um claro brilho de tesão no olhar, e um volume crescente nas calças de cetim. Apertou as carnes porcelanadas daquela anca arrebitada. Tanto apertou que no rego foi revelado um furinho que se contraiu ao olhar deliciado do garoto. Então, mudando de posição, ela o abraçou junto à seus seios em riste, obrigando-o a chupá-los e mordê-los. Numa curiosidade até tardia, ele abre as penas da menina presenciando pela primeira vez o maior alvo do pudor feminino. Surpresa! Aquilo é uma estranha boca vertical! Peluda e dum cinza avermelhado, o par de grossos lábios, entre-abertos pelos dedos delicados da menina, mostrava outro par de repulsivos lábios que babavam. Lembrou-lhe os beiços carnudos dos escravos.
- Você já foi paga? - perguntou ele com pura vergonha disfarçada pela rispidez das palavras.
- Han... Já sim moço, seu pai pagou-me. Se preocupa não... Agora vem! - convidou com um riso safado e um tapinha na cama.
Ele deu de costas e abriu a porta rumo á saída. Afobada ela se levantou mesmo pelada e o segurou pelo braço perguntando onde havia errado.
- Se foi paga me largue! - tomando uma feição ameaçadora ele tapou os lábios da prostituta com o dedo indicador- Feche a sua boquinha e fique com seu dinheiro.- ele foi enfático e firme pela primeira vez na noite.
Ela obedeceu e ele desceu apressado o lance de escadas.
- Como foi filho?! - o pai o esperava numa mesa em que era o único sóbrio.
- Ótimo, meu pai.
- Foi meio rápido, mas... não importa. Meu filho se consagra hoje um homem! Seu Jerônimo brindou com o bando de bêbados que urravam, uns até sem saber ao certo porquê.
Desgraça! Maldição do capeta! Capeta filho de proxeneta!
Como Iango poderia prever que a famosa boceta era tão... repulsiva. Ele não entendia como as mulheres, portadoras de tão atraente beleza, podiam ter aquela bocarra barbuda entre as pernas.
Na pior das hipóteses ele seria um afeminado! - estremeceu - Embora nunca tivesse se sentido atraído por homem nenhum.
O pobre e confuso rapaz passou três dias mergulhado na mais completa preocupação, sem parar de pensar, um momento que fosse, na temida "boca vertical".
Mas aos poucos e subconscientemente o medo e repulsão pelo talho genital, foi transformando-se num pervertido gosto por aqueles beiços e pelo mel que deles descia.
Agoniado pela frustração da maldita virgindade que carregava, ele pediu ao pai um segundo encontro com a mesma prostituta.
- Então, amanhã lá pelas dez, você pode passar lá. Mas esta é a última vez que te arranjo mulher, daqui em diante você vai ter que correr atrás! - disse o pai cheio de orgulho da masculinidade do herdeiro, mas alertou com um sorriso malvado: - Trate de ficar prolongar sua noite, semana passada você foi tão rápido que não teve tempo nem para bolinar a chica!
Iango precisava lavar sua honra, e com o líquido oleoso proveniente da boceta da puta!
Dia seguinte o pai lhe deu um último aviso a respeito de Paloma, era esse o nome da prostituta.
- Filho não vás te apaixonar por uma rameira hein, tem mulher muito mais formosa e rica a te esperar!...
Caminhando, desta vez sozinho, rumo ao Brillo, perguntas lhe passavam pela cabeça. Será que ela não o ridicularizaria pela situação do último encontro? Conseguiria ele manter-se exitado?
Movido pela vergonha da sua "primeira noite" ele adentra novamente no bordel.
- Todos sempre voltam - diz a mulher asquerosa da entrada dando-lhe a chave do quarto.
Ele sobe a escadaria com pressa como que para acabar logo com a agonia da virgindade. Comparou-se, por um momento, com um boi indo para o abate... pela segunda vez!
Paloma não o viera receber como antes. Mas isso não o fez diminuir o passo. Era como pular num abismo: se parasse na borda, acabava por desistir do salto, tomado pelo medo.
Abriu a porta do quarto e ela estava de cócoras na cama com a mesma sainha de outrora. Devido á posição, exibia sua boceta espremida pelas coxas.
- Você sabe magoar uma mulher! Estou magoada desde que me rejeitou.
Ele não soube interpretar a brincadeirinha sedutora da garota e indignou-se:
- Está magoada, mas foi paga!
Ignorando a ingenuidade do rapaz ela se ajoelha diante dele e segreda:
- Só perdôo se me deixar fazer uma coisinha...
Constrangeu-se quando ela arriou suas calças, por não estar com a espada em riste...Mas ela, compreensiva como sempre, não relevou. E pôs na boca o sexo do garoto, enquanto brincava com a língua no membro. Logo o pênis já não lhe cabia na boca. Ela se deliciava com a extremidade grossa da genitália do garoto, que dava os primeiros gemidos de prazer, quando ele segurou a cabeça dela contra a pélvis e gozou. As mãos fortes dele a seguravam para que não desvencilhasse a cabeça no seu êxtase. O fluído jorrava na boca sedenta da prostituta, que se lambia, como quem se alimenta do leite de homem.
Com a cara meio melada ela se pôs de quatro na cama e disse:
- Faça o que quiser comigo. Está perdoado.
Ele ergueu a saia de Paloma e que se mordia de excitação, torcendo para que ele não fizesse como da última e primeira vez. Mordeu com avidez aquela belo traseiro até marcar. Em seguida lançou-se
de boca na temida boceta para lhe retribuir o carinho. "O medo do escuro se perde enfrentando". Iango enfrentou o medo à gostosas chupadas e lambidas, sorvendo o mel de Paloma, que gemia feito uma gata ciosa. O membro ganhou a dureza quase dolorida novamente e agora, Iango enfrentou seu medo à espada. Preencheu aquela bocetinha com seu sólido pinto, em resultado, Paloma murmurou "...isso..."
Naquela posição de animal ele metia nela sem dó, descontando suas frustrações passadas.
- Paloma que ninguém ama
Paloma que todos comem
Paloma de rabo em chamas
Ninfomania é tudo na cama.
Ela responde à reboladas.
- Pareço tão vulgar desnuda?!
Só te peço que soques tudo
Ó selvagem poeta pausudo.
A noite caiu meteórica. Iango andava com ligeireza. Sua mãe deveria de já ter aceso uma vela por sua guarda.
Chegando em casa, tranquilizou a pobrezinha com uma desculpa qualquer e foi pra cama. Sentia a genitália doer de tão intensa que fora sua verdadeira primeira vez. Toca o sexo e sente as taras que ainda não realizou com sua Paloma.
A irmã de Iango aparece no seu quarto e antes que ele a expulsasse ela anunciou.
- O Márcio e e um outro amigo seu passaram aqui, uma meia hora depois que você saiu.
- Está bem. Amanhã eu falo com eles agora suma... Boa noite, boa noite...
No dia seguinte o rapaz alertou a mãe que chegaria tarde novamente. E o pai, vendo a cena de soslaio, deu um suspiro misto de alívio e orgulho. São segredos de pai e filho...
Martim Brasílio
Publicado no Recanto das Letras em 12/06/2008
Código do texto: T1030338
 | Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas. |