Texto

Volúpia entranhável

   Andando em seus trilhos, beirando a calçada, contando os passos, deligado para o resto e guardado somente para você. Chego com sono do lugar onde você mora, como mais um único seu. Você me vem humildimente, curiosamente puro, me cobrindo o olhar dos olhos, escondendo o fora.
   Seu sistema de felicidade me donima e me deixa sem ar, amando seus olhos essa esplêndida chama brilhante que de repente os levanta e molda um olhar abraçante, um raio de luz com ainda um encanto maior, que quando tudo é aquecido pela paixão de um beijo vejo através de seus cílios rebaixados a chama sombria do desejo, assim sua face contra a minha: o mais bonito, o mais frágil, mesmo assim forte, sombrio e divino. Em seu simples apartamento com fotos retratos de Astarte, admiro você que me convém ser a mais intensa estrela oriental em forma de garoto. Meu primeiro impulso foi te tocar, nas curvas dormente de seu corpo com uma carícia generosa, enfio-lhe os dedos com macia maestria, o maior dos abraços, desvendando o mistério de sua carne. Uso meus dentes como uma escada até o berço de sua boca, depois me inclino e desço seguindo notas de uma música estática, enviando todo amor sobre mim a você, explorando seu gosto, vadiando com minha boca até que ela esteja impregnada de calor ardente e saltarei vivo em seu maduro íntimo, fechando os olhos para coledir contra uma prazerosa escuridão de sentidos.
   Sinto você escorregar pelos meus ombros, vindo de cima, me empurrando para isto, aterrisando suavemente em nosso aeroplano que parece destinado a explodir, com sua comunicação de terceira classe, num maldoso senso de humor, sugerindo excitação tão exata.
   Seus dedos me focalizam em toques, num abraço que abastece e cria um esqueleto de confiança bem sobre nós e você me conhece mais ainda, profundo dentro de mim, como se chegasse ao meu âmago, havendo um espaço de desejo com uma visão inflexível na qual libera espaço entre as pernas. Eu tento libertar você de mim num último abraço para unir uma sagrada união, violentamente feliz, demasiado rápido, procurando por conforto que sufoca a alma, nessa persistência persistente se libertanto e fasendo-se livre.
JRavny
Publicado no Recanto das Letras em 03/07/2008
Código do texto: T1063084

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Sobre o autor
JRavny
Acapiara/CE - Brasil, 17 anos, Escritor Amador
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