Exaurido
Adoro ônibus cheio. Gosto que me enrosco duma lotação ajuntada. Me esbaldo num pé-de-ferro lotado. Cheio de traseiros ávidos, peitos trêmulos e de vulvas sequiosas. Me babo todo em uma condução arrochada e atolada de gente. E se o piso, ou a rua é mal calçada, tanto melhor. É trepidando que me acunho, que me junto. De gente cheirando a humanos, ou melhor, humanas. Gostosas. Portadoras de vaginas solitárias e saudosas. Saudosas ou mal comidas. Ou ainda, nem tocadas! Essas, as mais perigosas. Conas tristes e abandonadas. Objetos de meus desejos pervertidos em coletivos abarrotados. Lugar de minhas pulsões mais sórdidas e desejadas. Coletivas pulsões femininas. Amarrotadas entre humanos cansados da jornada do faz-me rir. Coletivos asardinhados. Atochada de seres humanos do sexo gostoso, o feminino, claro, pois sou espada. E com ela, meu velho chanfalho, quase sempre duro, vou esgrimando lortos frágeis e traseiros empedernidos, mas saudosos de um pedaço de carne nervosa, como meu surrão surrado.
Termino sempre exausto. Gasto. Exausto de tanto pincelar vazios dos entre nádegas. Vazios das conas esquecidas. Vazios dos peitos pouco mamados por marmanjos. Vazio como meu coração, ocupado em fazer esfregaços coletivos, ou coletivas. Exaurido.
JCunha
Publicado no Recanto das Letras em 05/05/2008
Código do texto: T976589
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