O dia em que quase broxei.
O dia em que quase broxei.
Depois de um tempo à procura de alguém, eis que, enfim, encontrei uma baby. Era divina a criatura: morena de olhos claros e cabelos negros para contrastar com o verde dos olhos. Uma tetéia!
O primeiro contato foi coisa rápida, papo descontraído numa breve carona para o condomínio onde ela morava. – malandro que é malandro, não dá bobeira, não ataca a presa dando uma de gavião apressado. A dona, por sua vez, fica na dela esperando o momento certo para engambelar o trouxa.
Assim sendo, fingíamos, eu e ela.
Depois dos tradicionais beijos na face e troca de telefone, despedi-me da atleta. (fazia caminhada a minha deusa).
Depois de um tempo sem notícias da mulher, (estranhava que ela não me tivesse telefonado), afinal havia bem uns dez dias desde o singular encontro e eu já a julgava perdida. Também? Pensava; nessa maré baixa que estou passando, nada de bom vai me acontecer.
Já andava resignado com a minha falta sorte, pois é como se diz: urubu quando está de azar, o que voa mais abaixo, borra o que acima voa. Entretanto, quando as coisas têm que acontecer é como vagabundo enquadrado pelos “home”. Não adianta fugir porque a santa “justa” não perdoa e o sujeito compreende que fazer, com licença da odorífica palavra, merda no ventilador, acaba como dona bunda: melada do mais fedido cocô.
Pois bem, não é que um dia, às vésperas de uma viagem, às nove horas de uma ensolarada terça feira, não dei de cara com a tal morena de olhos claros? Uma tetéia por sinal: corpo de Ivete Sangalo, olhos e cabelos de Maria Fernanda Cândido. Não perdi tempo. Ataquei. Marcamos para as duas da tarde em uma praia,bem perto de onde moro. Confesso que estive à beira de bater a caçoleta, dar um ataque cardíaco, partir dessa pra uma melhor; tamanha a ansiedade.
Finalmente às duas horas, estávamos de frente pro mar e dentro do meu carro. Avancei. Agarrei a mulher e lasquei-lhe um beijo na boca que eu não sou besta né! E, escolado de outros tempos, lembrei-me por acaso de uma morena, identica a dita cuja que se encontrava em meus braços. a tal morena de outros tempos era um tremendo transexual e para minha vergonha, o sujeito tinha o saco maior que o meu.
Pois bem, não sei porque, veio-me à lembrança aquele fatídico e distante começo de noite. Assim sendo, a abestalhada mão começou a trabalhar; fui logo tratando de tirar os noves-fora com a minha deusa. Felizmente, para minha alegria, a minha morena de olhos claros, era mulher de verdade. E por sinal, dona de um belo xibiu.
Para encurtar a narrativa, acabamos em um motel naquela mesma tarde: ela, maluca pra cima de mim, eu doido pra cima dela. A miserável da "binga" num assanhamento desmedido, mais rija que em tesão de mijo. E eu, com meus botões: "é hoje que tiro o atraso!" entretanto, quando a dona tirou o vestido, a calçola, e virou-se para se deitar, a "binga" falou: aí não! E caiu de vez. Não tiro a razão de dona "binga" porque, quando vi a bunda da mulher... Não! Aquilo não era bunda! era uma plantação bem adubada de cabelo.
Êta bundazinha mais cabeluda, pois não! Da porta do Fiofó até os limites do xibiu, passando pelas pernas, era um desparrame de cabelo.
Eu olhava pra dona, a "binga" subia. A mão escorregava na bunda da miserável, a desarvorada dizia: aí não, malandro!
Desesperado eu apelava pra dona "binga": amigona não me faça uma desfeita dessa... Cumpra o seu dever, sujeita!
A muito custo e algumas repreensões à descarada da "binga" que estava mais para gelatina que para picolé, a ovelha negra conseguiu terminar o que havia ido fazer no motel.
A moça animada queria mais, porém, a dona "binga"empacou: de jeito nenhum, quem gosta de macaco é zoológico!
Olympio Ramos
Publicado no Recanto das Letras em 07/05/2008
Código do texto: T978741
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