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A VIOLÊNCIA NA ESCOLA


        Todo e qualquer esforço no sentido de entender ou identificar as razões que promove tamanha violência nas escolas, passa necessariamente por uma análise conjuntural da sociedade onde a escola está inserida, prioritariamente no tocante aos aspectos históricos, econômicos, culturais e de produção, sendo estes os constituintes de toda a base da matriz geradora de todos os conflitos, disparidades, interesses conflitantes e toda a sorte de agressões a que estão submetidos os agentes no processo do fazer educação na nossa sociedade e na nossa escola. Todo e qualquer procedimento educativo, instrutivo, de transmissão de conhecimento, de lazer, e entretenimento, que se encontra sob a batuta da formalidade, está direta e indiretamente subordinada ao modo de produção da sociedade, e como tal é tocada a reboque do nível de desenvolvimento da economia onde esses procederes educacionais se encontram.
        Uma sociedade capitalista como a nossa, marcada pela desigualdade, exacerbamento do consumo, onde se prioriza o ter, onde se vive cotidianamente em um coletivo social marcada pela insegurança, pela violência, nada mais conseqüente entender o porquê desta onda expansionista da violência urbana ter alcançado os domínios privativos da escola. A sociedade da insegurança em que vivemos produz invariavelmente uma violência quase generalizada beirando as raias da anomia social, uma violência epidêmica. É neste contexto de Estado-de-violência institucionalizada em que homens e mulheres são barbaramente vitmados. Escola e sociedade guardam entre si estreitíssimos laços, e pode, uma e outra serem concebidas como a resultante de uma relação de mão dupla, e em assim sendo, a escola incorpora, reproduz, repete e reflete todos os aspectos da sociedade, sejam eles positivos ou não aceitáveis pelo resto do conjunto social.
        A escola que ai está é a materialização da ideologia burguesa, é, em última instância, um mecanismo multifuncional dentro da máquina e da lógica capitalista, pensada para cumprir eficazmente seu papel. O instituto ou instrumento de controle social escolar, possui seus particulares dispositivos reguladores: evasão, repetência e exclusão, são o que de mais perverso se pode verificar no interior das praticas das instituições formais de ensino. O indivíduo vitmado por um desses processos acaba por introjetar para si o estigma do fracasso, da incompetência, da incapacidade, uma vez introjetado esses conceitos, esse mesmo individuo é lançado, jogado no meio social, onde via de regra, exigem-se certas habilidades, determinado domínio para ocupar, desempenhar funções laborativas que, o meio onde ele vive requer; desprovidos de tais domínios, mais uma vez é rejeitado, excluído do contexto produtivo.
        É desse homem, dessa mulher, multi-vitmados que estamos tentando delinear a gênese da violência urbana, rural, familiar e escolar; é desse universo de inter-relações intrínsecas ---de natureza econômica, histórica, social e cultural---, que se encontra enraizada toda a fonte de violência. A violência escolar alcança índices alarmantes na nossa sociedade, ganha contornos epidêmicos e faz alunos, professores, gestores e a comunidade reféns. A violência contra os professores tem preocupado sobremaneira especialista em segurança pública e autoridades responsáveis; variados foram os diagnósticos, inúmeras são as propostas que apontam no sentido de equacionar tal fenômeno, mas, definitivamente nenhuma medida conseguiu debelar, controlar a crescente violência na escola.
        Considerando que a escola é o espaço onde diversas ambigüidades e conflitos de interesses convivem diuturnamente, é quase normal que aos olhos do senso comum, a violência escolar apresente-se como um fenômeno aceitável, contudo, há de se registrar a tolerância existente entre as mais variadas formas de violência com a figura do Estado brasileiro; a ausência de um Estado-providência, atuante, combativo é, via de regra, uma vertente explicativa para tamanha violência nas escolas e na sociedade.
        Não há medidas e ou soluções mágicas, mas, defendemos tacitamente a mudança de postura daqueles que sofrem todo ou qualquer manifestação de violência, para tanto é preciso que denunciemos toda e qualquer manifestaçao de violência nesse sentido; guardadas as devidas proporções cabe igualmente às instituições escolares adotarem uma postura que implique na mudança do paradigma escolar. Via de regra, as análises que tratam do tema, comentem a infelicidade de apresentar respostas parciais, fragmentadas quanto à violência escolar. Quem sabe uma possível alternativa não resida no fato da escola abrir mão do poder de discriminação? Faz-se necessário uma reação organizada por parte de todo o corpo de atores sociais que compõe o organismo escolar, é mais que urgente que escola e sociedade conjuntamente desenvolvam mecanismos cuja função primeira objetive a superação do fenômeno da violência escolar que, em muito toma de assalto milhões de jovens e profissionais de educação, expondo a todos a uma situação de constrangimento e vergonha nacional.


DIMAS: Professor-Pesquisador, Pedagogo, Especialista e Mestrando em Educação.
Dimas Cassimiro
Publicado no Recanto das Letras em 06/06/2008
Código do texto: T1022770

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Comentários
09/02/2010 17h36 - Dimas Cassimiro
KENYA, GRATO PELO SEU COMENTÁRIO. AGUARDO NOTÍCIAS SUAS, BEIJOS. MEU E-MAIL: ADOXACASSIMIRO@HOTMAIL.COM MANTENHA CONTATO
09/02/2010 13h01 - Kenya
OI MARAVILHOSO, FIQUEI PENSANDO QUE no mundo todo, todos os dias vivemos e vimos coisas abisurdas da violencia. seu comentario alerta muito a população, mais ainda tem pessoas que se fechão e so realmente dão valor a um exemplo ou a um acontecimento quando são as proprias vitimas.
13/01/2010 20h18 - PEDRO SANTOS
BELÍSSIMO TEXTO. Professor, escritor, pedagogo e especialista em Educação, Dimas Cassimiro, em muito honra a nossa terra: Timon,Teresina e o Maranhão tê-lo como morador da nossa região, digo isso posto que conheço a sua incomparável formação acadêmica e postura ética e moral. O objetivo dessa minha modesta intervenção é de alertar e convidar o povo de Timon-ma para que nessa próxima eleição possamos escolher melhor nossos representantes; eu conheço de perto o potencial e preparo acadêmico incomparável do professor Dimas Cassimiro. Só para ter uma idéia do que eu estou falando: o Professor Dimas ostenta em seu currículo em formação acadêmica mais de 6.510 Hora-aulas distribuido nos seus mais de TRES cursos superiores concluídos nas universidades de Pernambuco e da paraíba, portanto, é chegada a hora de elegermos para a assêmbleia legislativa do Maranhão alguém que possua formação e competência comprovada e compromisso com a nossa gente, com a nossa História, com os novos rumos que o Maranhão deve assumir num futuro muito breve. É chegada a hora de mudanças, de gente comprometida com o nosso passado, nosso presente e nosso futuro.VAMOS ELEGER PARA DEPUTADO ESTADUAL O COMPANHEIRO Dimas Cassimiro. Abraços, Pedro.

Sobre o autor
Dimas Cassimiro
João Pessoa/PB - Brasil, 46 anos
28 textos (118400 leituras)
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