A insignificancia de uma vida
Olhando-me no espelho, já não sei mais quem sou. As horas passam tão rápidas quantos os dias e os anos. Os domingos são cada vez mais breves e chegam cada vez mais rápidos. Não me pareço comigo, minhas mãos tremulas e meu olhar distante, me arrasto pelas frias e escuras paredes da minha tristeza e busco refugio nas minhas longínquas lembranças, mas a cada dia esqueço mais. Sei que amanha e semana que vem serão como hoje
Minha vida agora será uma tediosa insignificante coleção de horas. HÁ quanto tempo não saio. Não tenho novos pensamentos. Todos os amores da minha vida já passaram. Não há nada me esperando. Estou velho mais não sábio.
Daquela singela beleza que atraiu algumas mulheres no passado, não resta nada. E nem voltará por minha vontade. Tenho um punhado de amigos que mantém sua amizade por puro formalismo, não porque acham que tenho algo a oferecer-lhes. Sou uma flor murcha que envelheceu, murchou e definhou sem perceber e hoje o colibri pousa nesta flor sem mesmo se dar conta de onde esta pousado. Meu perfume se foi.
Não consigo saber se minha existência teve algum significado. A vida toda sonhei com coisas bonitas que queria para minha vida, mas que nunca aconteceram e agora é tarde.
Logo morrerei e serei sepultado e esquecido brevemente e nada ficará nem um beijo lacerante, nem uma sabia palavra e nem uma lágrima sincera. Ficarei guardado num ataúde onde os vermes devorarão a argila da minha inutilidade e meus últimos suspiros, fadado ao eterno esquecimento.
Em um balanço entre Todo o bem e todo o mal que eu causei, poderia simplesmente não ter existido. Mas a vida segue.
Wagner de A a Z
Publicado no Recanto das Letras em 04/11/2009
Código do texto: T1904388