Desses Mistérios
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Afinal, quem somos nós?
Grande questão para a qual não há respostas... Ou há respostas demais.
O que é a realidade?
O que é de fato real e o que pertence ao mundo do imponderável, do intangível?
A consciência, o que seria?
Seria um subproduto da essência? Uma emanação a tangenciar - ou penetrar - o mundo da matéria densa? Uma fronteira?...
E a identidade, de onde emana?
Do nível fisiológico, a refletir interligações específicas e peculiares da rede neurônica de cada um?
Poderia ser então plástica, flexível, mutável? – como o é a própria rede neurônica?
Poderíamos interferir nas conexões da rede nervosa e assim alterar a nossa identidade?... Com o pensamento, apenas?...
O pensamento?!
Mas ele é real? É mensurável? Há matéria no pensamento? Ou ele pertence à dimensão do imponderável?
Se o hipotálamo (interativo íntimo com o complexo córtex frontal) é responsável por uma vasta gama de emoções – medo, tristeza, angústia, euforia, alegria... – seria o indivíduo tão-somente um produto das substâncias por ele produzidas?
Seríamos o conjunto dessas emoções?
A intrincada rede neurônica estabelece suas ligações, bilhões delas, conforme as emoções ocorram e se reproduzam no dia-a-dia; somos, então, um produto do pensamento?...
Experiências - antigas, recentes; agradáveis, traumáticas; conscientes, inconscientes - não seriam definidas pelas múltiplas conexões nervosas que definem o que somos?
Não seria essa a identidade de cada um?
O hipotálamo comanda a produção de uma enorme gama de substâncias que atuam sobre cada células e definem o estado fisiológico e emocional do todo orgânico; não seria possível, então, pelo o pensamento influir nesses estados?
Cada manifestação de alegria ou tristeza, de cólera ou serenidade, de plenitude ou insatisfação, cada vício, cada medo, cada amargura, cada angústia, cada júbilo, cada gozo, cada prazer, não estaria tudo intimamente ligados ao pensar, à identidade, à atitude?!
A NOSSA MENTE NÃO CRIARIA O NOSSO CORPO?
Não seria, portanto, possível a transformação, desde o nível de cada célula comandada pela rede nervosa, com base na informação, na experiência de vida, boa ou ruim?
Para mudar, então, a “receita” da vida, não bastaria mudar a rede nervosa pela alteração da própria identidade?
NÃO SERIA SIMPLES ASSIM?
Questões dessa natureza são objetos de estudo não apenas da neurociência, da filosofia, ou da psicologia, mas também da física quântica.
Há aí todo um conjunto de teorias do universo subatômico, além de uma vasta coleção de experimentos que procuram demonstrar o quanto o pensamento pode interferir na matéria densa, isto é, no que se chama de REAL.
A física quântica se debruça sobre questões dessa natureza há quase um século, e embora não haja respostas definitivas, há uma busca épica, tão plena quanto à própria descoberta.
Mas há muitas lacunas. Ainda!...
E enquanto os cientistas modernos se debatem sobre essas lacunas – como os enormes espaços vazios em cada um dos átomos, insondáveis entre o núcleo e a eletrosfera, onde repousa o imperscrutável e descansa o mistério – não seria possível preenchê-las com a plenitude do sobre-humano?
Penso que sim.
A ciência vê o universo como um imenso palco onde co-atuam as forças naturais. De fato assim é o mundo. Mas na origem, na harmonia e na perpetuação de cada uma dessas forças, aí se realiza um misterioso equilíbrio.
Pois se a natureza é um todo de símbolos interligados, um imenso conjunto de hieróglifos a serem decifrados, se tudo que se vê encerra em si uma cadeia de grandes mistérios a se suceder em infinita seqüência, invisíveis aos olhos da razão, o último desses mistérios não seria um tipo de deus?!...
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Marcello
Publicado no Recanto das Letras em 05/11/2009
Código do texto: T1907033
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