A Aviação em Parnaíba (fragmentos históricos)
Fluía o ano de 1911.
O Brasil contemplava o seu primeiro aeromodelo, projetado por Santos Dumont e pilotado por seu mecânico, Edmond Plauchut, sobrevoar, numa altura de 80 metros, a Avenida Central com destino à Ilha do Governador, porém, fora malogrado o vôo: antes de atingir seu destino caiu no mar. Estava iniciada a trajetória da aviação Brasileira. No mesmo ano era fundado o Aeroclube Brasileiro e em 1919 a primeira escola de aviação do Brasil. Em 1927, já tínhamos a primeira empresa, Condor Syndicat, transportando passageiros.
Anos depois, Parnaíba presenciava, a 22 de setembro de 1929, ao sol do meio dia, baixado nas águas do Igaraçu, o hidroavião norte-americano “Montevidéu”, da companhia Nyrba Line, que seguia de Nova Iorque para Buenos Aires. O pouso foi inesperado, logo, atraiu inúmeros cidadãos, das diversas partes da cidade, a se amontoarem junto aos cais do Porto Salgado e da Quarenta para contemplá-lo ao longe, boiando sob as ondulações do, então, caudaloso rio. A aeronave, que precisava abastecer, teve suporte através da Casa Inglesa, na pessoa de seu sócio Celso Nunes, representante, também, da Esso Stand Óleo. Com um pouco mais de um dia, após receber 35 caixas de gasolina e óleo lubrificante, a fascinante máquina “Yankee”, que trazia consigo dois pilotos e dois mecânicos, içou vôo e seguiu seu destino, pausando, por uma última vez, no Rio de Janeiro. A Nyrba, que naquele ano havia iniciado sua linha entre as primeiras cidades citadas, não tardou a instalar uma filial em nosso país, modulando, semanalmente, entre as cidades de Belém e Santos. Anos depois, fora comprada pela Pan American World Airwalys, a Panair do Brasil, o que viria a ser extinta em 1975. A Panair muito serviu em nossas atividades comerciais, o que impulsionou, de certa forma, um consistente intercâmbio nacional e internacional que, por sua vez, facilitou os negócios e, diretamente, promoveu o desenvolvimento das regiões em que aterrissou; era-se comum planar em nossas águas o Hidroavião S 43, o “Baby Clipper”.
Na década de 40, o mundo vivia o caos da Grande Guerra, o litoral piauiense era detentor de um pequeno porto aéreo na antiga Rosápolis, além de um campo de pouso no Catanduvas, com cerca de 1.000 x 500 metros, inaugurado pelo Correio Aéreo Nacional e pertencente à Força Aérea Brasileira (FAB). Nessa mesma época, foi fundado, a 23 de setembro, o Aeroclube de Parnaíba, registrado no Ministério da Aeronáutica e que, através do Aeroclube Brasileiro, doou, para nosso acervo, os aviões: “Moreninha”, “Alfredo Gomes”, “Rangel Pestana” e “Miguel Couto”; em alhures, já tramitava entre os estudos do citado a ampliação do campo, o que resultou no nosso atual aeroporto internacional João Silva Filho, hoje, com uma pista pavimentada e sinalizada de 2.100 metros, iminente de uma nova reforma, desta vez para receber aviões de grande porte, vindos das mais variadas nações do globo, em especial da Europa. Ano retrasado, Parnaíba, após a internacionalização de seu aeroporto, o que facilitou o roteiro turístico: Jericoacoara, Lençóis Maranhenses e Delta do Parnaíba; efetuou o seu primeiro embarque e desembarque de passageiros vindos do exterior – o boeing 757 200 da Air Italy chegou às 17h trazendo um total de 113 italianos, recebidos, em um jantar, pelo governador Wellington Dias.
Naquele quase meio século, nossa cidade era sítio de duas importantes firmas: “Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul Ltda” e “Panair do Brasil S.A.”, agentes Moraes & Cia e Celso Nunes (então presidente da Associação Comercial de Parnaíba), respectivamente. Celso Nunes, que desde àquela primeira aeronave vinha se notabilizando como uma das figuras mais importantes da nossa história aviária, a convite da Panair, transferiu-se para a Capital do Ceará, Fortaleza, a fim de gerenciar a Companhia naquele Estado, o que o fez até meados de 1964.
É Parnaíba crescendo e se tornando porta de entrada ao turismo interestadual e estrangeiro.
*Texto publicado no Suplemento Cultural O Piagüí (maio/2008).
Daniel C B Ciarlini
Publicado no Recanto das Letras em 13/05/2008
Código do texto: T987706
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