Jornalista e o diploma...
Dia 17 de Junho de 2009, parecia um dia como outro qualquer. Uma quarta feira, com poucas nuvens no céu, mas, com uma temperatura ambiente "beirando" os 27 °C. Mas, como nem tudo que parece é, aproximadamente às cinco horas da tarde, a notícia da queda do diploma para jornalista, já estava estampada nas mídias cibernéticas nacionais.
Um susto para uns, alegria para outros. Por oito votos a um, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiram que o diploma de jornalismo não é obrigatório para exercer a profissão.
De acordo com o ministro Carlos Ayres Britto, o jornalismo pode ser exercido pelos que optam por se profissionalizar na carreira ou por aqueles que apenas têm "intimidade com a palavra" ou "olho clínico".
Já, segundo o ministro Marco Aurélio, único a votar a favor no julgamento, a exigência do diploma existe há 40 anos e as técnicas para entrevistar, editar ou reportar são necessárias para a formação do profissional. O ministro ainda ressalta a necessidade de formação básica que viabilize a atividade profissional jornalística que repercute na vida dos cidadãos em geral.
Com o reboliço dessa disputa jurídica, muito se tem falado sobre o assunto e, discussões sobre o que serão dos jornalistas diplomados ou até mesmo sobre a queda ou término dos cursos de Jornalismo já são pautas garantidas no meio midiático.
Uns comemoram, afinal não foi preciso passar quatro anos sentado num banco de faculdade para poder dizer em tom ápatico: Eu posso ser jornalista.
Outros, aqueles profissionais de "carteirinha" que mesmo prestando serviços jornalísticos, não tem o canudo nas mãos, acabam com um sorriso no rosto, afinal o STF disse que não precisa. Não os desmerecendo, pois, existem muitos jornalistas bons e qualificados que não tem curso específico na área, mas, que puderam ter um gostinho do "Eu posso e eu sou Jornalista" eu garanto.
Agora também tem aqueles que enfrentaram a universidade ou que ainda estão enfrentando e, acreditam que o mundo está desabando por causa de nem todos, terem a obrigação de possuírem uma escrita em um canudo dizendo "Você está habilitado a ser Jornalista".
Eu, Fernanda Resende, aluna do curso de Jornalismo, acredito que ter ou não diploma não é questão de ser melhor ou pior que alguém. O Jornalista tem que ser bom, independentemente se passou ou não pelo banco da faculdade. Tem muitos que possuem o diploma, mas, nem se quer sabem fazer um bom lead para a matéria. Creio, que para ser Jornalista deve sim ter conhecimento, disciplina, persistência e, o mais importante fazer o que gosta, gostar do que faz e fazer bem feito. O resto, é consequência.
E, para aqueles que estão aí roendo as unhas e se preocupando com o mercado de trabalho só tenho a dizer: Sejam bons, muito bons e, o emprego é seu. Agora, mais do que nunca, você tem que correr atrás, mostrar que tem copetência de levar a notícia a quem precisa dela. Cada vez o mercado exige mais, e, só depende de você está apto a essas exigências.
Confira aqui algumas opiniões de profissionais que fazem acontecer...
" Jornalismo de qualidade passa pela formação superior." Alexandre Pereira, Editor do Jornal da Manhã
"Embora a notícia não seja agradável não acredito que isso muda muita coisa.
As empresas de comunicação e mesmo as empresas de mercados diversos que empregam profissionais da área têm um trabalho a zelar.
Diante disso acredito que elas continuarão exigindo profissinais formados.
Somente frequentando um curso de jornalismo o profissional aterá segurança para atuar com ética, discernimento e profissionalismo. Não podemos nos esquecer da legislação que determina essas ações. Um jornalista mal formado pode colocar a empresa para a qual trabalha em situações complicadas e até sujeitas a processos.
A analogia mais próxima é com a profissão de Publicitário. Não existe exigencia do diploma e as agências sérias,atualmente, não querem profissionais que não têm diploma." - Karla Borges, Comunicóloga e Professora da Universidade de Uberaba
"A extinção da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão vai forçar uma transformação muito positiva nas faculdades de Jornalismo. A partir de agora os cursos devem se empenhar ainda mais para proporcionar uma formação avançada, de altíssima qualidade, de modo a garantir um diferencial inquestionável entre os jornalistas diplomados e os profissionais práticos. Ou seja, todo o modelo pedagógico deve ser revisto para que a faculdade de Jornalismo seja imprescindível de fato. Além disso, esse momento histórico é uma boa oportunidade para firmar o Jornalismo e a Comunicação como Ciências Sociais autônomas, capazes de oferecer instrumentos originais para a pesquisa sobre as transformações no Jornalismo no século 21 e sobre o papel dos meios de comunicação na sociedade. A formação universitária não deve repetir a prática profissional, mas deve reinventá-la através de um permanente espírito de crítica e de inovação. Ou seja, na sociedade da informação, é preciso ficar claro que o ensino de Jornalismo não se restringe a um treinamento técnico, mas engloba sobretudo a formação humanista, acadêmica e intelectual." André Azevedo, Historiador, Jornalista e Educador.
"Sou totalmente a favor da obrigatoriedade do diploma para os jornalistas, afinal, trata-se de uma profissão que requer uma formação adequada, como qualquer outra que exija curso superior. Lamentável essa decisão da justiça." Fábio Rocha Santos, Jornalista e Professor.
Fernanda Resende
Publicado no Recanto das Letras em 18/10/2009
Código do texto: T1873095
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