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Diálogo sobre a felicidade

Madrugada, dois amigos conversam defronte ao mar.

George: O que você me diz acerca da felicidade?

Mary: Creio ser algo grandioso; que se situa, porém, em ínfimas fontes de satisfação.

George: Mas de que maneira a alegria pode residir em coisas mesquinhas? Porque, para mim, ela se encontra no que há de mais sublime.

Mary: Na verdade, as formas de se alcançar a felicidade são relativas, do mesmo modo que a saciedade pode ser obtida mediante a ingestão dos mais diversos tipos de alimento, não somente por intermédio das comidas mais sublimes, preparadas somente por exímios cozinheiros.

George: Concordo em um aspecto com sua metáfora, pois assim como a saciedade, a alegria não passa de um estado. Portanto se não for instigada, em dados momentos, acabará por cessar, assim como as chamas de uma fogueira.

Mary: Estou de acordo com sua opinião, meu amigo, porém é um tanto útil essa constante necessidade de renovação por parte da felicidade, porquanto a adversidade é deveras relevante para o nosso crescimento.

George: Por que você considera a adversidade como uma bênção? Isso denota ser otimismo desmedido, minha cara.

Mary: Pois veja bem, até mesmo a dor é muito importante, porque se não a sentíssemos, correríamos o risco de nos ferir e só nos darmos conta disso quando fosse tarde demais para tomar qualquer atitude, no que tange a momentos de desdita, julgo-lhes relevantes, porque fazem com que conheçamos o mundo e a nós mesmos, livrando-nos de certas frivolidades que a felicidade mascara, mesmo que não propositadamente.

George: Você tem certa razão, mas ninguém pode declarar-se feliz até o fim de seus dias, visto que pode ser acometido por uma grande adversidade, cujo mal é extirpar a felicidade até mesmo das lembranças.

Mary: Creio que um grande infortúnio é incapaz de definir uma vida como feliz ou desditosa tendo somente a si próprio como base, porque se uma excelente partida foi feita desde o princípio, certas desvantagens em seus instantes finais não serão suficientes para decretar uma derrota.

O tempo se esvai, enquanto os dois amigos, felizes, continuam a filosofar.

01/08/09
Michel Domenech
Publicado no Recanto das Letras em 25/10/2009
Código do texto: T1885677
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Comentários
26/10/2009 12h11 - Mirabelle
Querido amigo, a felicidade de fato é digna de ensaios e ensaios sem fim, visto que a mesma pode ser encontrada quando menos se espera, de diversas formas, cores e sabores, para todas as idades e formas geométricas. Fiquei feliz em ler-te. Beijão!
25/10/2009 07h56 - Celso Motter de Carvalho
Ah, Michel, andou bem o seu filosofar. Tenho comigo que a felicidade, energias vitais vão crescendo e quebrando uma casca para finalmente transbordar, como se saisse de um poço, sem se importar com quem está à beira. Entretanto, não anda errante: ao sair, vai forjando um sulco por onde passa, de tal forma que sabemos de antemão, por onde voltará a passar. Acho que é por isso que os velhos ficam com o rosto tão marcado. Estou adorando os seus escritos.
25/10/2009 06h38 - Paulo Nieri
Sobre a felicidade, sempre feliz, mesmo quando não dá, gostei do texto, parabéns!

Sobre o autor
Michel Domenech
Bagé/RS - Brasil, 21 anos
52 textos (561 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 27/11/09 01:37)

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