Texto

entrevista com um penetra

Revista - Olá, viemos lhe fazer algumas perguntas.
Marino - Já sei, sindicância.
Revista - Sim, os organizadores de festas o viram em algumas festas e acharam que o senhor não foi convidado.
Marino - Eles sabem que não dei certo em São Paulo, não é?
Revista - Sim e não. O senhor está vindo comer nossa comida de graça e bebendo do nosso vinho sem ser ainda um Alain Delon. Que que é isso?
Marino - Não, não tenho a ótima aparência de Alain Delon, mas vou fazer o quê?
Revista - O senhor é chave de cadeia.
Marino - Prove, por favor. Só saía para ir a esses lugares, mas para divulgar meu blog, que inclusive já caiu na boca da populaça desconhecida, mas isso pouco importa não é? É-se obrigado viver em uma pátria que se tem ojeriza também pelo resto da vida, com risco de ir para a cadeia ou para um sanatório.
Revista - A sindicância não terminou.
Marino - Continuem. Não, não estudei em colégio pago, nem beisebol, se querem saber. Estudei em escola pública.
Revista - O senhor sabe da ojeriza que sente a ciclana, a que cuida para que os penetras não pertubem os bem-nascidos, pelo senhor, não sabe?
Marino - Não sei, nem conheço essa mulher. Ela é atriz?
Revista - O que o senhor faz não é certo, meu caro. Agredir gente que deu certo na vida. O senhor, naturalmente um ser de baixa extração, nem sabe o que é Drumond, não é?
Marino - Sei sim, é um poeta. Quando ele morreu senti o amor dele no meu coração.
Revista - Tá, tá,tá...mediocridade existe, gente!
Marino - E como!
Revista - Você não sabe o que a mídia pode fazer com o senhor, sabe? O senhor não tem mais beleza, é calvo, não tem dinheiro e vive sendo perseguido porque mora sozinho. Diz que vive em um país porque é obrigado. O senhor acha que alguém vai tirá-lo daqui?
Marino - Não votei em corruptos, aliás nem sei se anulei meu voto. Sei, eu sei sim que sou de certa forma limítrofe, mas não me conformo das pessoas se revoltarem com outras coisas que não seja corrupção. Comigo, por exemplo.
Revista - É só isso. Bom, gente, tirem umas fotos desse ser desprezível.
Dino Palaz
Publicado no Recanto das Letras em 09/05/2008
Código do texto: T981384

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Sobre o autor
Dino Palaz
São Paulo/SP - Brasil, Escritor Entusiasta
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