Entrevista com Caroline Feitosa, criadora da personagem Rabuga.
(Entrevista feita para o site www.omanicomio.com)
Caroline Feitosa é talentosíssima. Ela desenha a Rabuga, personagem que encanta por ser tão doce e ser dona de um humor tão resmungão. É impossível não se apaixonar - feita de traços simples, Rabuga transforma o cotidiano entediante em algo delicioso. A identificação é imediata.
Enquanto você reclama do atraso do ônibus, Carol se inspira. Conheça um pouco mais sobre ela, que já participou de várias exposições e publica suas tirinhas no jornal A Tarde.
OManicômio: Você desenha desde sempre ou começou depois de ver alguém fazendo?
Caroline Feitosa: Olha, eu sempre gostei muito de rabiscar, mas a verdade é que nunca me levei muito a sério nessa atividade. Quando tive a idéia de fazer as tiras, queria que um amigo meu desenhasse pra mim; e, para se livrar, ele me convenceu de que aqueles “bonequinhos de palito obesos” que eu desenhava seriam suficientes para o que eu queria fazer, então arrisquei.
OM: Já teve outros personagens além da Rabuga?
CF: Tentei fazer uma histórias com um garoto que tem uma fenda na cabeça e que dali escapam seus pensamentos. Cheguei a fazer algumas tiras com ele, mas não chegaram nem a 10. Um dia volto a investir no moço.
OM: Alguém lhe inspirou a começar a desenhá-la?
CF: Não sei se foi exatamente alguém, mas o que mais me influenciou a começar foi essas estranhas situações cotidianas que a gente vive. Às vezes a inspiração vem de esperar meia hora no ponto de ônibus, comer chocolate muito mais do que deveria, as conversas de mesa de bar, os contos lidos antes de dormir, os quadrinhos devorados em sala de espera, Radiohead baixinho durante o banho, a eterna insatisfação com o “querer mudar” e ficar vendo o tempo passar..
OM: A Rabuga tem uma personalidade peculiar, ela é um doce e bem rabugenta ao mesmo tempo. Alguém inspirou essa personalidade dela?
CF: Acho que ninguém especificamente, mas admiro muito pessoas que conseguem lidar com esses dois extremos emocionais.
OM: Você desenha para o jornal A TARDE, certo? Como aconteceu o convite?
CF: Ano passado participei de uma exposição do Dia da Mulher com os trabalhos da Rabuga, e foi lá onde a editora do jornal conheceu minhas tiras. Uns meses depois ela foi a outra exposição, da qual eu também participava, falou que tinha um espaço livre no jornal e me fez o convite.
OM: Você faz o que da vida? Trabalha ou pretende trabalhar com ilustração e quadrinhos?
CF: A parte entediante é que sou estudante de psicologia (8° semestre) e faço pesquisa na área de epidemiologia. Peguei umas matérias na Faculdade de Belas Artes daqui, e desde então estou investindo na área de artes visuais. Me envolvi tanto com isso que pretendo engatar um mestrado nessa área. Mas faço também algumas ilustrações e agora em março participo de uma exposição coletiva com um grupo da Escola de Belas Artes.
OM: Você lê outras tirinhas e quadrinhos? Quais? Tem algum ídolo?
CF: Nossa, vários! Hagar, Calvin, Mafalda, Malvados, Garfield, Schulz, Angeli, Terry Moore, Henfil, Neil Gaiman, Quino, Toriyama, Alan Moore, Adão Iturrusgarai, Jules Feiffer, Crumb, Nicolas de Crécy…
OM: Tem algum projeto relacionado à Rabuga?
CF: Na correria atual tenho me dedicado apenas ao jornal e ao site “Diálogos Universitários”, onde a Rabuga aparece quinzenalmente.
OM: Deixe um recado para os nossos leitores!
CF: Escovem os dentes antes de dormirem.
Conheça a Rabuga: www.fotolog.com/rabuga
Tiffany Rossi
Publicado no Recanto das Letras em 09/05/2008
Código do texto: T982291
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