Ousada! Sim!
Ousada, agarro a vida que me escapa agora
Por entre os vãos dos dedos, como fina areia...
Com sua forte brida tanto a mim refreia,
E não se importa nunca se minh’alma chora!
Ousada, sigo nesta minha lenta aurora,
Enquanto a luz no meu nublado céu rareia,
Enquanto não se rompe a roda e a vil correia
Que giram meu destino, em que meu ser ancora!
Ousada! Sigo adiante, porque tenho vida,
Enfrento meus penares, pela dor curtida...
E vivo os dias meus assim quebrando aresta...
Ousada! Sim! Eu sou ousada! Rompo a brida!
E sorvo a luz que escapa sempre pela fresta...
E agarro, com loucura, tudo que me resta!
Edir Pina de Barros
POL, 7 de Novembro de 2009.
Mote - Tetita : Ousadia