Texto

Severino e a Torneira Solta

Existe uma história
Que corre o sertão
De um bravo menino.
Nome: Severino.
Quando nasceu,
Ninguém percebeu
O que tinha, o garoto,
De tão diferente.
Era, Severino,
um menino doente.
Dizem uns outros,
Que é na moléstia
E também da modéstia,
Que brota a coisa mais honesta
No pobre sertão:
Severino encontrou compaixão.
Tanto sofrimento
Envolvido na terra
Tanta gente que chora
E que berra de fome e de sede.
Resolveu, Severino,
Começar, de repente,
Uma revolução.
Sua perturbação
Era a sua aliada.
Pra começar
A dar como encerrada
Essa história
De que no Sertão
Falta água encanada,
O guri começou
A tal reviravolta
Se apegando na crença,
E também abusando da própria doença.
Sua torneira solta,
É o que o povo conta,
Não foi o que fez
O sertão virar mar,
Mas fez muita gente
Chorar de emoção.
E com a água salgada
Do choro do povo
Logo o sertão virou mar,
De novo.
Luca Brandão
Publicado no Recanto das Letras em 04/11/2009
Código do texto: T1904666

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Comentários
04/11/2009 13h57 - BERNAR
"MORTE E VIDA A SEVERINO"...parabens rapaz!! abraços

Sobre o autor
Luca Brandão
Goiânia/GO - Brasil, 25 anos
88 textos (3103 leituras)
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