De médico e louco...
Quando eu era funcionário do BB, em Pindaré-Mirim, interior do Maranhão, eu tinha um colega, o Edílson, baixinho e franzino, mas casado com uma morena alta e forte, D. Terezinha, que, além de grandona, era ciumenta e valente de montão.
Edílson, cabra safado de primeira categoria, era um paquerador de carteirinha e useiro e vezeiro em arrastar as suas asas de gavião para as empregadas domésticas que trabalhavam na sua casa, desde que, é claro, a sua brava e desconfiada mulher não estivesse presente.
Um dia de domingo, D. Terezinha voltava da feira quando, à porta da casa, ouviu som de vozes abafadas que vinham do quarto da empregada, acamada desde o dia anterior por motivo de uma forte gripe. Desconfiada de alguma mutreta, D. Terezinha, silenciosamente, nas pontas dos pés, aproximou-se do quarto, espiou pela porta entreaberta, e viu que o Edílson apalpava a empregada, indagando:
- Onde está doendo? Aqui? – e apalpava os peitos da moça, que somente sorria, dengosamente.
Edílson continuava:
- É aqui que está doendo? – e passou a examinar a barriga da empregada.
E quando a sua mão descia para um melhor exame, mais embaixo, D. Terezinha arrebentou o guarda-chuva nas suas costas, gritando:
- Cabra safado! Sem-vergonha! Eu sabia que tu eras bancário, mas não sabia que tu eras médico!
Giulio Cesare
Publicado no Recanto das Letras em 15/05/2008
Código do texto: T990239
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