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CARRUAGEM DE ANJOS

Ritinha contava seis aninhos quando brincava no jardim com uma bola vermelho-perigo. Um descuido e ela escapuliu pelo portão aberto atrás do brinquedo.Sem olhar para os lados da rua, acabou  machucada por um carro azul-apagado.

No Hospital das Crianças, deitada numa caminha branco-nuvem, a doutora Rosa (que vestia jaleco morango-claro) avisou a menina e seus pais que o dodóis de suas perninhas iam demorar a curar. Todos teriam que se esforçar para a sua recuperação.

Alguns dias depois, já em casa, as penas imobilizadas, a pequenina pintava com as cores do arco-íris um livro de desenhos. As tintas foram se misturando nos seus olhinhos negros-jabuticabas e eles começaram a piscar até ela adormecer. Imediatamente as letrinhas do início dos filmes começaram a dançar na sua mente, avisando-a que ia começar um sonho. Logo surgiu uma grande carruagem abóbora-envelhecida que descia de nuvens branco-açúcar-refinado cheia de anjinhos de todas as raças: brancos, mulatos, negros, amarelos, indígenas... Seus cabelos lisos, crespos, ondulados, cacheados que iam do amarelo-espigas-de-milho ao ruivo-labareda-de-fogo voam com a alegria do vento.

Com risadas som-de-riacho-entre-pedras, os anjos desceram da carruagem e cercaram a cama de Ritinha. Começaram a cantar, dançar e fazer orações ao redor da menina numa grande brincadeira de roda. Depois retiraram os aparelhos que imobilizavam suas pernas doentinhas - sempre cantando e rezando - as massagearam com um creme de listras bengalas-de-natal. Então segredaram no seu ouvido:
- Logo, logo, tu ficarás boa. Porém, daqui por diante toma cuidado ao atravessar uma rua! Olha sempre para os dois lados até que tenhas certeza que não vem nenhum carro, moto, ônibus ou bicicleta!
De repente a carruagem voou de volta para o céu levando todos os seus lindos passageiros e foi tudo ficando claro até ela despertar.

Daquele momento em diante a criança não sentiu mais dores. Na semana seguinte, ao refazer os exames, para surpresa de todos: as suas perninhas estavam curadas e em poucos dias ela já corria no jardim atrás de uma bola amarelo-atenção.
Betha M Costa
Publicado no Recanto das Letras em 01/11/2009
Código do texto: T1899731

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Comentários
02/11/2009 08h34 - Lucan
Querida Amiga BETHA, lindo o seu texto de hoje, como todos os textos que você escreve. uma estorinha linda, emocionante e, com maravilhosa redação que faz com que estejamos convivendo com você, do primeiro ao último termo, aí em sua mesa de trabalho. Obrigado, menina, por você existir!!!!!!!!!!!! Muita paz, saúde e felicidades a você e familiares. Um Beijo carinhoso. Tenha uma feliz e produtiva semana. Lucas

Sobre a autora
Betha M Costa
Belém/PA - Brasil
36 textos (1091 leituras)
5 e-livros (61 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 26/11/09 11:25)

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