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| MENINOS DA ROÇA...continuação CAP. XIII Zico ficou tenso e respondeu: _ Mas ele é doido, moço! Se ele nos vir vai ficar mais zangado. _ Não! Ele não vai ver a gente. Vamos ficar escondidos no mato. A gente não faz barulho e fica bem quietinho. Zico ainda tentou argumentar: _ E a cerca? Como é que a gente faz? _ Ora, é só uma cerca de arame. Nós já passamos por baixo de muitas cercas desse jeito. Não tenha medo. O mato esconde a gente. Menina tirou o cantil do pescoço e deixou-o dentro do oco do tronco. Achou que ele atrapalharia quando fosse passar por baixo do arame. Zico a acompanhou, mas não sem receio. Passaram sob a cerca e do outro lado, pé ante pé, entraram pelo mato que servia de fronteira entre os terrenos da chácara e a casa do polonês, daquele que todos conheciam só de ouvir falar. Contava-se que o polonês chegara ao Brasil fugindo da perseguição nazista. Era nascido na polônia de família judaica. Seus pais haviam se transferido para o norte da Itália, durante a primeira guerra mundial. O polonês e os irmãos eram ainda pequenos. A família instalou-se numa pequena localidade da região trentina. Eram comerciantes. Levavam uma vida de trabalho, preocupados, sobretudo, com educação dos filhos. Anos depois, veio a segunda guerra. Quando as tropas alemãs ocuparam a Itália, eles e milhares de outras famílias judias foram levados para campos de concentração. Seus pais foram executados poucos dias depois da prisão. Nos campos de concentração, os alemães matavam primeiro os idosos, considerados inválidos para o trabalho e depois, as crianças. O polonês foi separado dos irmãos e levado para uma fábrica de produtos químicos, nas proximidades de Domodóssola, porque era formado em engenharia química. Os alemães o obrigavam fazer armas químicas mortais que seriam usadas pra eliminar sua gente. Ele não teve mais notícias dos irmãos. Felizmente, numa arriscada operação de salvamento, a Resistência o resgatou. Foi levado para a Suíça e de lá veio para o Brasil. Contavam também que Continua... |
| Claraluna |
| Publicado no Recanto das Letras em 14/05/2008 Código do texto: T989874 |
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Claraluna
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