Texto

Feijoada...

Nunca escrevi nada sobre mim mesma. Então, decidi gravar. Até mesmo porque a pessoa que tiver q escrever o que eu estou falando vai se dar um pouco mal. Bom, mas, antes do mais nada, deixa eu me apresentar. Quer uma ficha técnica ou só basta eu me apresentar.

>É melhor eu fazer isso, JP<

Essa segunda voz é minha amiga, MJ. Ela está me ajudando, ou melhor, me atrapalhando.
Ok, lá vou eu. Meu nome é JP. Sou a filha do meio de um casal MUITO apaixonado.

>Sem cinismo, JP<

Quem está sendo cínica? Bom, então, voltando lá atrás, meu pai é advogado. E não existe coisa pior. É horrível quando você vai pedir money emprestado e o velho vem com alguma lei sobre empréstimo. E não estou exagerando. Mamãe diz que ele mergulhou tanto nos estudos que afundou.
Minha mãe é estilista. Eu até gosto disso, sabe, é interessante, legal mesmo. A não ser o fato dela fazer TODAS as minhas roupas, do jeito dela. E, tudo bem, até que vai, eu não ligo muito, mas ela quer por que quer que eu fique com carinha de adulta, então faz umas roupas meio ridículas. Por sorte, eu puxei o talento dela e sempre dou um jeitinho nas roupas.
Amo meu gato Louis. Louis tem dois anos, e parece que nasceu ontem. Ele tem a cara amassada, tipo quando você bate a cara na parede, só que um pouco mais amassada. Na verdade, muito mais amassada. Apesar disso, ele tem os pêlos enormes e eriçados, como se tivesse levado um choque. Não é eriçado por ser muito pêlo, que nem uma raça por ai, é como se tivesse levado um choque mesmo.
Tenho duas irmãs, como já disse. E você vai concordar comigo, ser irmã do meio é osso! Não é só osso, é terrível.
A minha irmã mais velha tem dezenove anos. E, cá entre nós, ela é a filha que toda mãe quer ter. Não reclama de usar as roupas bregas de mamãe, não sai durante o fim-de-semana, nunca teve um namorado, não tem amigos loucos, é quieta e compenetrada em seus estudos. Os professores a amavam até o momento em que ela demonstrou ser mais inteligente que eles. E eu não estou brincando. O passatempo dela é resolver problemas matemáticos.
A minha irmã mais nova é outra coisa. Provavelmente, será atriz de Hollywood em breve. Pelo menos em comerciais de cosméticos. Ela conhece marca por marca, sabe nome, bula, tudo o que você perguntar ela sabe. Além disso, ninguém consegue ser como ela. Ok, ela é bonitinha. E aparenta uns dezesseis anos, enquanto têm só treze.
Mas, Sandy não se importa de acordar às cinco horas da manhã durante a semana para se arrumar para ir para a escola. Sandy não se importa em ter que acordar em pleno sábado às exatas seis e meia por ter um encontro às oito da noite. Sandy não se importa, com certeza, em gastar seis horas arrumando o cabelo, nem duas horas arrumando as unhas, e não se importa em ficar mais umas sete ou oito horas fazendo o programa de estética que passaram para ela.
Agora, tenta mandar ela lavar a louça ou o banheiro. Não, melhor, manda ela arrumar o quarto.

> Nunca faça isso se tiver amor à vida, ou melhor, à vida da comunidade<

Pois é, depois me perguntam o porque do trauma.
Eu sou, dugamos, a filha estranha. Não estranha no sentido de estranha, mas estranha no sentido de estranha, entenderam? Não? Que pena. Vou tentar explicar melhor.
Eu costumo usar cores discretas. Tipo preto, pink, verde limão, ou entao um azul num tom diferente. E roupas diferentes, combinações diferentes. Tipo, saia evasê de um pano leve com coturno, ou All Star de bico fino. Ou então uns vestidos tirados do tempo da minha tatatatataravó, bem bufantes e com a saia até o joelho, mais ou menos, com bota.
Aliás, eu gostaria de deixar os meus parabéns ao inventor da bota, seja lá quem ele for. Não tem coisa melhor. Se eu pudesse, usava bota todos os momentos. É bom demais da conta, além de ser estiloso!
Amo o inverno. Nunca ví neve, mas adoraria ir para um lugar e ficar parada, olhando aquela brancura toda. Além disso, as pessoas se vestem melhor no inverno, não tem vergonha de criar um estilo todo só pra ir até a esquina.

> Puxou a mãe...<

Não, não puxei a mãe, só, digamos, tive influência dela. Aliás, eu já contei que minha mãe é estilista, não é? Eu só não disse aonde ela trabalha... Ela tem uma loja só dela. No centro. Muito freuquentada. Que pena, as pessoas de hoje não tem mais bom gosto!!
Bom, antes de começar a minha história, vou falar DELA. Por que nada aconteceria se ELA não tivesse agido. Às vezes, eu me pego pensando se devo agradecê-la ou xingá-la. Estranho...
O nome dela é Marcela. Nada contra as Marcelas, conheço umas até bem legais, mas essa... Ah, essa... Não tinha nada contra mais uma patricinha na escola, tentando ser aceita, roubando o lugar da minha irmã, nada contra ela ser quase como eu no vôlei ou coisa parecida.
MAS, ela me roubou o Matt.

>Lá vai ela falar do Mat<

É a mais pura verdade. Ela me roubou o Matt. E isso não se faz.

>Acho que vale mais a pena você continuar a história.<

Ok, não perder tempo e saliva falando DELA. Vamos à história...
E a história começa com um soco.
Camila Lucchesi
Publicado no Recanto das Letras em 07/05/2008
Código do texto: T979741

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (para utilizar meus textos, você deve citar Camila Lucchesi como autora e o site onde foi retirado.). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Indique para amigos
Denuncie conteúdo abusivo



Comentários
07/06/2008 12h56 - naninha
bom..

Sobre a autora
Camila Lucchesi
São Paulo/SP - Brasil, 18 anos, Escritora Amadora
8 textos (379 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/07/08 18:20)

Como anunciar aqui?




Ajude-nos a divulgar o Recanto das Letras.
Saiba como: clique aqui
Indique

Capa | Cadastro | Textos | Áudios | Autores | Mural | Fórum | Escrivaninha | Regras de Uso | Links | Anuncie | Ajuda | Contate-nos