Texto

Nove Declarações de Amor

VIII  Soneto

Alimentando-te com a minha saudade
Sentirás n’alma frescor da graça bendita
Brisa namorando nossa felicidade
Na terra molhada quando a chuva se deita

Tua saudade me busca naquele símbolo
Para minha sorte olhar teu pensamento
Ser estrela no firmamento, um ídolo
Brilhar no teu leito, ser teu doce sustento

Poeta! Quero tudo o que vier de ti!
Envolva-me na mais pura poesia
Nestas linhas, nesse amor que te consenti!

Voltarei feliz dos teus sonhos sendo tua fã
Sedenta de saudades pra te dar alegrias
Quando me entregar nas refrescantes manhãs

I
Quando me entregar nas refrescantes manhãs
Nascendo no ventre doce das madrugadas
Encantarei tua alma com melodias pagãs
Sob a Lua das nossas vidas enamoradas

No puro amor que nossa alma presume
E o pulsar que nosso coração encerra
Neste frescor de nossa pele se resume
No ar que respiramos nesta atmosfera

Enfeitiçada com nossa sutil presença
No estado mais sublime da amantisidão
Mostrando nos gestos o que a mente pensa
Revelando o meu amor ao teu coração

Na completude da tua sensibilidade
Alimentando-te com a minha saudade

II
Alimentando-te com a minha saudade
Quero selar meus lábios macios nos teus
E mergulhar fundo na tua profundidade
Sentindo teu beijo, fechando os olhos meus

Tirando teu fôlego num ardente beijo
Enquanto minhas mãos envolvem teus cabelos
E deslizam no abrigo do teu forte peito
Na mansuetude do abraço em desvelos

Quero sentir o teu corpo estremecer
Sentindo minha respiração ofegante
Colando meu ventre no teu, para acender
Nossa chama da paixão que brilha dançante

Por todo amor que eu puder te dar nesta vida
Sentirás n’alma frescor da graça bendita

III
Sentirás n’alma frescor da graça bendita
Marcando tua vida com nossas lembranças
Perfumadas num jardim de rosas vestidas
Da inocência trazida pelas crianças

Eternas saudades e emoções de outrora
Eternas sensações e sonhos realizados
Sou o aroma que alimenta tu’alma, agora
Sou o perfume das rosas dos amados

Sou  pétalas atiradas ao sabor do vento
Preparando os teus caminhos invisíveis
Sou os sinais etéreos do meu advento
Colorindo tua vida com cores visíveis

Inocência beijando nossa saudade
Brisa namorando nossa felicidade

IV
Brisa namorando nossa felicidade
Balançando a cortina do nosso quarto
Somos envolvidos pela sagacidade
No ventre do amor em trabalho de parto

Renascendo iguais borboletas felizes
Nos lençóis azuis cobrindo nosso ninho
Nas cordilheiras dos nossos loucos deslizes
Encontramos nossos ais por este caminho

Enquanto a chuva namora o telhado
Lá fora, o prazer escorre na janela
Nas goteiras derramadas por meu amado
Queimando minha doce chama igual vela

Amor alimentando a nossa colheita
Na terra molhada quando a chuva se deita

V
Na terra molhada quando a chuva se deita
Evapora um perfume da natureza
Envolvendo nossa sublime vida feita
De luminescência e simples certeza

Dessa saudade pulsante que permanece
Sentindo o aroma da chuva na terra
Nesse nosso coração que não se esquece
Quando a chuva molha o amor na serra

Umedecendo a temperatura do leito
Onde se deita o calor de toda seiva
Nascendo brumas de prazer nesse teu peito
Degustando as entranhas com tua saliva

Descansa teu corpo no azul do teu tijolo
Tua saudade me busca naquele símbolo

VI
Tua saudade me busca naquele símbolo
Suspenso em tua mão, ele roda a vida
Traz consigo vestígios do meu consolo
Do meu cheiro de saudade não esquecida

Por teus sentidos, nessa pequena distância
Do espaço que separa fisicamente
E o tempo que nos une na ressonância
Do som encontrado nessa esfera, sente

As lembranças desses caminhos percorridos
Por este símbolo trazido em tua mão
Passeando pelas paisagens das libidos
Consagrando o nosso amor em comunhão

Na vibração do meu corpo neste momento
Para minha sorte olhar teu pensamento

VII
Para minha sorte olhar teu pensamento
Entrarei nessa noite dos meus olhos negros
Seguindo os passos do teu conhecimento
Chegarei à fonte sutil dos teus segredos

Guardados nos teus oceanos, escritos
Por indeléveis letras em formas de gotas
Enchendo um aquário de musas e mitos
Nas inspirações misteriosas que tu sonhas

Neste transe de não sentir a realidade
Que tua mão escreve a vida do Poeta
Marcando teu nome por toda eternidade
Na curva da folha branca com linha reta

Ser Poeta é um ventre livre, frívolo
Ser estrela no firmamento, um ídolo

VIII
Ser estrela no firmamento, um ídolo
Nesse mundo que é nosso e de mais ninguém
Unidos por nosso símbolo em dipolo
Por quanto tempo durar este amor, Amém!

Quero ser teu manso respirar no descanso
Do teu corpo mergulhado na paz bendita
Na tranquilidade da tua alma, remanso
Enquanto teu olhar sereno me visita

Quero ouvir tua voz sussurrar meu nome
Enquanto dorme teus sonhos ao meu lado
E ver teus desejos nascerem na tua fome
Antes de acordar e ser por mim amado

Quero matar tua sede, ser teu alimento
Brilhar no teu leito, ser teu doce sustento

IX
Brilhar no teu leito, ser teu doce sustento
No inverno aquecido pela lareira
Degustando um tinto vinho, meu portento
Derramado na pele da minha roseira

Sentir teus lábios saboreando a mistura
Até o início da primavera, florir
Todas as pétalas brancas com esta candura
Enfeitando a derme,  perfumando teu sorrir

Refrescante alívio durante o verão
Que se forma com nosso fogo aquecido
Nas carícias de amor nascidas do coração
Desfolhado no outono do vento ido

Em tua direção, quando em mim, te senti
Poeta! Quero tudo o que vier de ti!

X
Poeta! Quero tudo o que vier de ti!
Teu olhar marejado olhando para mim
Sequestrando o meu sorriso em frenesi
Tuas mãos nos fios dos meus cabelos assim

Quero matar minha vontade do teu beijo
Unindo as nossas dermes nessa mistura
Ser a goiabada gostosa do teu queijo
Enquanto degustas minha fruta madura

Quero passear nos teus versos feito musa
Vestir-me desse teu eterno romantismo
E sonhar contigo tirando minha blusa
Contida nessas rimas do teu erotismo

Fazendo do meu corpo tua liturgia
Envolva-me na mais pura poesia

XI
Envolva-me na mais pura poesia
Sonhada nas madrugadas enluaradas
Acordando as manhãs com tua melodia
Desperta as primaveras almiscaradas

Espalhando o teu canto por este mundo
Envolto pelo perfume do amor sincero
Saído do teu pulsar mais forte e profundo
Nesses versos envolvidos por teu bolero

Que fala da alma da mulher caliente
Que tempera o amor com dedo de moça
Acende a luz do ventre recipiente
Enquanto tua palavra delicada roça

Meus loucos desejos apaixonados por ti
Nestas linhas, nesse amor que te consenti!

XII
Nestas linhas, nesse amor que te consenti!
Igual uma lenda de amor eternizada
Nascida nas linhas escritas n’O Guarani
Na devoção fiel do amor à tua amada

Amada Imortal desses teus pensamentos
Inspirações deixadas por mãos dos poetas
Transformaram-se em vidas, reais momentos
Guardados no labirinto dessas facetas

Lapidadas pelas mãos serenas do tempo
Nos espaços vividos pela existência
Dos vivos apaixonados que bem me lembro
Jazem no infinito dessa consciência

Mostrando-te que serei tua fiel guardiã
Voltarei feliz dos teus sonhos sendo tua fã

XIII
Voltarei feliz dos teus sonhos sendo tua fã
Trazendo nos meus lábios esse teu sabor
Que deixa minha alma cristalina e sã
Quando sente de ti teu verdadeiro amor

O amor que a vida me deu de presente
No exato instante que mais precisava
Surgindo no céu igual estrela cadente
Meu coração me disse que te esperava

Por longos anos vivendo nesta solidão
Senti saudade, sem saber de onde vinha
Este sentimento trazido em conexão
Unindo cada vida nessa sutil linha

Encontrei tua vida na porta dos teus dias
Sedenta de saudades pra te dar alegrias

XIV
Sedenta de saudades pra te dar alegrias
E ver teu tímido sorriso que adoro
Tanto, tanto, tanto igual as aleluias
Cantadas por anjos enquanto te namoro

Olhando nosso dia passar pela janela
Vendo o Sol indo para o horizonte
No desejo quente de se encontrar com ela
Quando a noite beija a Lua nesta fonte

E As estrelas enfeitam esta paisagem
Enquanto nós namoramos as nossas vidas
Sentindo no íntimo a nossa linhagem
Trazida pelas tardes jamais esquecidas

Aliviando as minhas saudades afãs
Quando me entregar nas refrescantes manhãs









*O Guarani - José de Alencar.

*Todos os meus sonetos estão registrados.


Helen De Rose
Publicado no Recanto das Letras em 03/11/2009
Código do texto: T1902569

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Comentários
03/11/2009 12h32 - Duke Webwriter
Helen, Lindo texto. Profissional, delicado, abusado. Adorei, espero mesmo poder lê-la mais... Aparece. Beijos.

Sobre a autora
Helen De Rose
Sorocaba/SP - Brasil
15 textos (3010 leituras)
1 áudios (76 audições)
2 e-livros (94 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 26/11/09 10:28)

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