Texto

Desculpe gente ...

Que chato pessoal eu estar aqui, ocupando o tempo de vocês, mas eu tinha que me explicar.
Falar “pro” meu pai e “pra” minha mãe que foi sem querer, que não tive intenção. Foi tudo muito rápido, foi como se a minha vida... a vida dos meus colegas... Olha... foi tudo muito rápido. Eu nem sei direito o que foi que aconteceu
Lembro quando o ponteiro estava quase chegando aos 180...
Cara foi maneiro, minha respiração chegou a parar quando estava quase passando...
Foi uma sensação incrível.
Mas não sei o que aconteceu. Só lembro que saímos da festa...
eu tinha bebido umas três doses de whisky  mais umas quatro cevas, não sei direito, mas foi  daquela bem pequenas... só isso!
Lembro da Lurdinha subindo no meu pescoço, o ponteiro a 140 ou 160...
o Otávio e o Fábio gritando para fora da janela para um outro carro...
o muro passando ao nosso lado muito mais rápido que a gente...
o ponteiro nem tinha chegado aos 180, dava para parar.
Aí tudo parou derrepente.
Mas não sei o que houve.
Agora estamos aqui.
Viemos todos juntos e os pais da turma ainda devem estar dormindo.
Como é que eu vou avisar... que a gente... se perdeu...
Carlos Evandro Corezola
Publicado no Recanto das Letras em 22/04/2008
Código do texto: T956423
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Sobre o autor
Carlos Evandro Corezola
Cordeirópolis/SP - Brasil, 47 anos, Escritor Semi-profissional
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