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Texto
Conto Minimalista n.40![]() ![]() A primeira vez que a viu, pareceu-lhe delicada como um lírio ao sol da manhã, mas estava tão acostumado a ser só que não soube como agir quando ela sorriu-lhe timidamente. Deveria ter uns dezesseis anos, talvez um pouco mais, não saberia dizer ao certo, apenas que parecia um anjo nessa hora matinal. -Oi... Ele ouvi a voz juvenil e seu coração se enterneceu instantaneamente, invalidando o seu normal desejo de sumir em tais situações sociais. -Olá, respondeu ainda bastante sem graça. E deste primeiro momento mágico, muitos outros surgiram ali no belo jardim. Ela vinha três ou quatro vezes por semana, pela manhã, quando o sol subia no zênite e logo a solidão dele suavizou-se...derreteu...e, por fim, sumiu. Sempre amorosa, ela trazia flores frescas e a meiga risada, mas muitas vezes ficavam em silêncio, só olhando os pássaros, o vôo das borboletas ou os peixes de um pequeno lago em frente. De beleza suave, ela era diferente de todas as moças que conhecera até então e o melhor é que conversavam sobre tudo harmoniosamente. Espantoso ser tão sábia para a idade! Um dia, quis conhecer sua família e saber onde morava, porém ela ficou calada. Um doloroso ciúmes o feriu e seguiu-a sem ser visto quando ela se despediu. O que viu o fez chorar como nunca antes o fizera pois descobrira seu segredo... Estranhamente, na manhã seguinte ela não veio como de hábito, e até que não suportando a saudade, ele foi à sua morada e a chamou com carinho. Quando ela apareceu, o mundo resplandeceu em suavidade e doçura, e ele entendeu o completo significado das palavras Amizade e Bem-querer - e de como ela preenchia de luz os seus momentos. A partir de então, cada qual seguia contente para sua tumba, sem jamais esconder nada um do outro - Amigos para a Eternidade. *** Silvia Regina Costa Lima 3 de novembro de 2009 ![]() ![]() Tela: "Morning Bouquet" de Alfred Guillou – França, Paris *1844, +1926) Um dos meus quadros favoritos. Parece-me estar viva esta pintura de Alfred Guillou, parece-me ter Alma - e me repassa, com perfeição, o máximo significado da palavra Ternura. Penso que toda a beleza que há na Meiguice está nela reproduzida. A primeira vez que a vi - recebida de meu friend 4ever - meu coração deu um salto de prazer e admiração. Adorei muito mesmo e sabia que faria um texto para ela - fosse ou não um poema. Quando escrevi este conto, lembrei-me dela imediatamente, na complementação delicada que ela emprestaria às palavras desta minha amorosa história. |
| Silvia Regina Costa Lima |
| Publicado no Recanto das Letras em 06/11/2009 Código do texto: T1909165 |
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Sobre a autora

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Silvia Regina Costa Lima
Vinhedo/SP - Brasil
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