O filho de Freud
O "divino" se deitou no divã, e absorto em recônditos pensamentos, não pronunciou uma palavra sequer. O psicanalista estava impaciente. Por mais que Freud incitasse o homem a falar, ele continuava calado. Passaram-se trinta minutos, uma hora... E nada. Escarneceu um silêncio deveras perturbador. O pináculo da situação foi quando Freud, irritado, exclamou:
- Quer saber, você é doido. Dá o fora daqui!
E o homem, com uma calma de fazer inveja aos hippies de woodstock (não esses hippies modernos, que são modistas e nada mais), falou:
- Eu não sou doido, eu sou Jesus!
E Freud, que deixou uma ínfima lágrima cair de seus olhos, alegrou-se:
- Tu és Jesus? Até que enfim... Vem cá e dá um abraço no teu pai, moleque!
Epimeteu
Publicado no Recanto das Letras em 07/11/2009
Código do texto: T1909642
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