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NATAL DO MENINO NATAL

- Êi, menino! Como é seu nome?
- É Natal.
- Natal? Natal de quê?
- Não sei... minha mãe nunca me disse.
- Onde ela está?
- Morreu.
- E seu pai?
- Foi embora.
- Hoje é o seu dia, sabia?
- Sei, ouvi falar no rádio.
- E você não está contente?
- Tô sim. Todo mundo ta falando de mim.
- Você não ganhou nenhum presente?
- Não. Todos só falam. Mas ninguém liga pra mim.
- Nem o Papai-Noel?
- Ah! Aquele da televisão?
- Sim.
- Ele disse que a bicicleta da loja dele é barata. Mas eu não
             Tenho dinheiro...
-            Você não trabalha?
- Sim. Vendo garrafas quando  apanho no lixo.
- Não junta o dinheiro?
- Ele não dá nem pra comprar pão e guaraná...
- Você mora aonde?
- No palácio.
- Palácio?
- É, palácio dos infelizes. É bem assim que todos chamam.
- Onde fica?
- Num viaduto aqui perto. Lá é bom. Só é ruim quando chove.
- Por quê?
- O esgoto enche,  alaga tudo e molha o papelão.
- Ah, sei...
- O senhor quer ir lá? Posso lhe apresentar meus amigos.
- Não, não, menino. Eu estou com pressa, até logo!
- Êi, moço, espere! Eu ainda não falei da...
- Puxa! Porque será que ele saiu correndo...?


Francisco Piedade
Publicado no Recanto das Letras em 31/10/2009
Código do texto: T1897372

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Sobre o autor
Francisco Piedade
Salvador/BA - Brasil, 53 anos
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