Texto

A SINA DO SINO

Blém, blém...
Todos os dias,
À mesma hora,
O tedioso som estridente,
O rotineiro vai-e-vém do badalo atraindo os fiéis
Que seguem em marcha para o lugar-comum.
O mesmo sermão,
A mesma prece,
A mesma crença,
Amanhã, talvez...


O NATAL chega!
E o sino o anuncia cumprindo resignadamente sua sina.
As pessoas comem, bebem...
Esquecem que a fome tortura os esqueletos-vivos Africanos.
As pesoas se cumprimentam, se abraçam
E ignoram que o oriente degladia com o ocidente.
As pessoas riem, se divertem,
Não atentam para a injustiça e miséria que as cercam.
Porque acreditam. E o sino bate.
O operário crê. E o sino replica:
Blém, blém... quem sabe no ano que vém...

Ora, bolas!
Cada um tem sua sina.

Francisco Piedade
Publicado no Recanto das Letras em 31/10/2009
Código do texto: T1897508

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Sobre o autor
Francisco Piedade
Salvador/BA - Brasil, 53 anos
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