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Texto

| Solidariedade, e a história de um Hiperbóreo... SOLIDARIEDADE ...Só porque estava triste Matei a formiga que passava... Outra que também caminhava E no jardim trabalhava, Veio solidária, até aquela que matei...! Que direitos tinha eu sobre aquela vida Se não fui eu quem a gerei?... Não sabia ela de mim Nem eu dela Apenas ia pela vida... Senti poderes sobre a morte O gigante da sorte Da frágil vida que esmaguei...! Neusi Sardá ![]() * * * * "sim, todos podem ser heróis!", disse com convicção um dos hiperbóreos que estava sentando na mesa de bar de uma rua infinita no meio do universo de estrelas vagantes e uníssonas. Nada seria mais belo do que o nascimento de uma estrela. Quando uma estrela nasce, uma vida nasce na terra. Era a lenda hiperbórea. E todos nós éramos pequenos e vivíamos em aldeias repletas de seres engraçados que andavam e desandavam por aí. E é aqui que começa uma história sobre um herói hiperbóreo que salvou o mundo... Quando se é pequeno o mundo parece estranho, quando se é grande o mundo parece exato... As magias já não cortam as ruas e o tempo é o senhor de tudo. E o pobre hiperbóreo vagante sublinhava as ruas de cima e de baixo sem medo de se perder. Pessoas que roubam pessoas. Pessoas que matam pessoas. Pessoas que não são pessoas. Pessoas em máscaras diárias... "quotide! quotide! quam quotide!" ...pessoas tão indiferentes que deixavam o pobre hiperbóreo perdido em meio tanta razão incógnita. Razão incógnita... isso era eco? A razão era um eco de nenhuma voz! O pobre hiperbóreo se foi pela estrada e sublinhou os caminhos tortuosos da terra. Foi-se pela viela, foi-se pelo vale, foi-se pela montanha, foi-se pelo lago congelado que termina em um rio que termina numa grande cascata. Foi-se pelo mundo de oceanos antes repletos de seres nadantes que nadavam e desnadavam por aí. E quando a lua mostrou de prata em céu cheio de estrelas novas, ele nos viu. Éramos pequenos, curvados, e vestíamos couro de bicho pra se esquentar no inverno. Era inverno, sim! O homem esquentou demais o planeta e agora ele está mais frio... engraçado, não? O pobre hiperbóreo chorava e nos contava como havia chegado ali e como o homem de razão incógnita se entregou ao senhor tempo. Naquela rua infinita o universo dava a luz à uma estrela. Nascia mais um bebê... "ele vai nos guiar...", disse o hiperbóreo. Então eu perguntei: "e se pode ser herói hoje em dia?" e o hiperbóreo respondeu com ar de exclamação: "todos..." (estrelas, pequenos astros brilharam) "sim, todos podem ser heróis!". Rimos. O hiperbóreo saiu pelo mundo e se foi pela floresta, pela várzea, pelo gelo, pelo vulcão, pelo mar. Foi-se por todos os lados e por todos os meios e por mim e por ti e por todos... Ele andava dentro de mim me dizendo que "sim, todos podem ser heróis" e saiu para a Hiperbórea... Avisou os outros que uma nova vida nasce quando uma estrela nasce. Um hiperbóreo andou por ti e você sentiu paz... Antes de partir, perguntei para o hiperbóreo onde ele morava e se ele tinha filhos. Ele me calou e disse que os homens ficariam cegos com sua terra. Homens em agonia por fortuna. Antes, um herói simples não se importa com riqueza. Um herói também não trabalha sozinho. O hiperbóreo andou, os hiperbóreos andaram e nós os seguimos. Fomos encontrar o bebê. Entramos na cidade a noite e o bebê estava dormindo sono de estrelas brilhantes que venciam nuvens tempestuosas noturnas. Sono de muitos anos, sono de séculos. O bebê dormia e não sentiu medo em ver o rosto brilhante do hiperbóreo nem sua túnica cor de gelo. Todos nós voamos para a estrelas mais alta do teto do universo: ela estava no fim, era uma luz presa em uma parede que refletia todas as outras estrelas. O universo era um espelho de nós. As estrelas eram crianças que nasciam e refletiam como estrelas. Era uma rua que nos levava até aquela estrela que era um olhar. O hiperbóreo fez o bebê tocar na estrelas que era dele, mas homens armados com suas razões incógnitas nos pegaram e nos prenderam. Todos os hiperbóreos foram para uma cela longe de nós. Longe de seu próprio tempo. A razão incógnita apagou a estrela e o senhor do tempo continuou sua tirania por séculos. Fomos libertos, mas os hiperbóreos não o foram. No entanto, enquanto nos tiravam da cela, uns homens armados corriam feito loucos por toda a prisão atemporal de paredes marcadas por lágrimas. Os hiperbóreos fugiram, perguntaram-me para onde foram. Eu disse: "se eu disser, vocês ficarão cegos..." e saí. Voltamos para nossa aldeia longe de tudo e onde éramos pequenos. Ainda existiam seres que andavam e desandavam por aí. Demorou mil anos para eu ver o hiperbóreo novamente... Eu o vi no meu leito de mudança. Quando ele, com seus olhos muito azuis me disse que o bebê estava crescendo e muitos outros estão crescendo. Os heróis estão brotando em cada um. E... Todos podem ser heróis... Fechei meus olhos e o vi me guiar através de mim por onde o tempo não existe... E eu vi... Há um hiperbóreo perto de ti. Valdemar Neto |
| Neusi Sardá |
| Publicado no Recanto das Letras em 13/11/2009 Código do texto: T1921397 |
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Sobre a autora

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Neusi Sardá
Santo Amaro da Imperatriz/SC - Brasil
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