Texto

Os Sentidos

Meus olhos sempre enxergam o que estou olhando.
Meu dia-a-dia é formado por intensas contemplações.
Tudo o que toco, se algum dia foi, deixa de ser meu.
Dôo sensações inesquecíveis e as vezes inebriantes.

Vivo em um jardim florido de pessoas coloridas,
onde até o mais nefasto ser-humano exala um perfume... humano.
Durmo e acordo em uma bolha particular,
onde a música cotidiana influencia diretamente o meu silêncio.
Minha bolha chama-se Planeta Terra.

Admito ser um assassino.
Mas apenas coloco um fim na existência
daquilo que continuará existindo em mim;
meu gosto não é um imperativo.

E por fim, o sexto sentido, esse na verdade não possuo.
Não ouço vozes ou sinto calafrios ao me apaixonar,
ao me refrescar com um copo gelado e entregar a chave...
a bem da verdade, vivo a cada instante o último de minha vida e,
talvez exista sim um sexto: a intuição de reconhecer o
presente recebido sem corrompê-lo por minha limitante racionalidade.
Marcelo Maia
Publicado no Recanto das Letras em 12/12/2007
Código do texto: T775535

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Comentários
20/02/2008 15h50 - Marcelo Lopes
...forma correta de provar ao mundo admitindo sua brevidade, apreciei muitíssimo seus textos. Parabéns!

Sobre o autor
Marcelo Maia
São Bernardo do Campo/SP - Brasil
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