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Era de Aquário: a resposta estará na água?

   A água, dizem os cientistas, tem memória, guarda a alquimia e a história de um povo. O que dirão, futuramente, da humanidade do século XXI?
   O gelo, congelado há milhares de anos, vem derretendo há uma velocidade vista apenas após o fim da última era do gelo. Com isso, surgem revelações sobre a química da Terra de então. Entramos na era de Aquário prestando atenção especial à água e suas lembranças. Qual era a  temperatura da Terra? Que seres ela abrigava? Como era o clima? Qual o nível de CO2 da época? Poderíamos sobreviver se o mundo voltasse a ser daquele jeito? Para onde vai o clima se a temperatura das águas continuar subindo?
   Em nossa era, o passado e o presente se fundem trazendo uma nova realidade: marés alteradas, correntes marítimas mudam de direção, lembrando o filme “O Dia Depois de Amanhã”. Maremotos, terremotos, furacões e tornados onde só a calmaria existia. O chão se abre de repente e engole casas, carros, pessoas, como se Hades resolvesse visitar a Terra subitamente. Que deus, Posseidon, Netuno ou Iemanjá, tem destruído as costas com ressacas nunca vistas na era moderna?
   Os antigos deuses, que antes tinham cerimônias e  sacrifícios para abrandar sua ira, hoje estão esquecidos, e talvez por isso furiosos... Em nossa pressa de evoluir, esquecemos do passado, apagamos da história as culturas antigas, por julgarmos obsoletas e inverídicas. Estranho Deus estar mandando tantos sinais apocalípticos, não? Afinal de contas, até Ele anda obsoleto, num mundo onde testam robôs do tamanho de células, animais são clonados, vegetais alterados geneticamente, e crianças aprendem em uma semana o que um adulto do século XIX levaria toda uma vida para aprender. Seja lá que nome se dê a Deus, se Buda, Moisés, Cristo ou Mohamed... o fato é que ele anda nervoso conosco, mas seus sinais têm sido vistos e notados por algumas mentes brilhantes, que espero, estejam procurando entender como a humanidade e o ecossistema se relacionavam antigamente, para que possamos recriar as condições necessárias para a nossa sobrevivência futura.
   No passado, havia uma lucidez espiritual que contrastava com uma ingenuidade científica (ou assim pensamos após destruir os indícios científicos dos povos antigos na Idade Média). Havia, ainda assim, pistas que nos levam a pensar se realmente eles seriam tão “selvagens” assim: escavações revelaram encanamentos na América e África, os orientais possuem uma medicina antiga que até hoje não compreendemos cientificamente, mas verificamos que funciona (como estimulação dos Chakras através de acupuntura, pedras, cores). Incensos e ervas nos acalmam sem que saibamos (ou melhor, sem que acreditemos) qual seja seu princípio ativo.
   Hoje tudo que é REAL deve ser explicado cientificamente, mas nem tudo pode ter explicação lógica: como explicarmos as pirâmides Maias, Astecas e Egípcias, sem o uso de máquinas e equipamentos modernos? Por que a magia e a alquimia foram banidas da sociedade moderna, se ainda hoje vemos seus símbolos e tradições incorporados (em sigilo, é claro) nos costumes eclesiásticos cristãos, muçulmanos e em outras religiões? A astrologia é besteira, mas o alto clero das igrejas católica, budista, lamaísta, islâmica etc a usaram e usam para calcular o retorno do Messias e prever, numerologicamente, a época correta para eventos corriqueiros, como festas e comemorações religiosas.
   Talvez a resposta para o nosso futuro esteja no passado, pois a meu ver, os povos antigos tinham uma visão muito mais global do ser humano, pois não tinham a preocupação moderna de dividir tudo até a ínfima parte, conhecer o DNA, quebrá-lo, recriá-lo. O ser humano e a natureza estavam interligados, e o desequilíbrio de um afetava o outro. Talvez com o estudo da água, possamos remontar o quebra-cabeça de peças faltantes em que vivemos na modernidade, e deixemos de relegar o passado à míngua, entendendo o porquê de seus aspectos culturais e as razões por trás de suas tradições “selvagens”. Será que cultuar (e respeitar, por assim dizer) a natureza e pedir perdão a Deus é tão obsoleto assim?
   Gaia, ou a mãe-natureza, era uma divindade poderosa cultuada por povos antigos. Segundo a tradição, “Gaia é a personificação do antigo poder matriarcal das antigas cultura Indo-Européias. É a Grande Mãe que dá e tira, que nutre e depois devora os próprios filhos após sua morte. É a força elementar que dá sustento e possibilita a ordem do mundo.*”  O clero cristão tentou, através da figura nefasta do inferno, controlar os impulsos assassinos e sexuais da sociedade medieval. Na antiguidade, era o medo de ser devorado por Gaia que impedia a humanidade de depredar a natureza. Como divindade primordial, era a Mãe da Terra, dos Titãs, Ciclopes, Gigantes, Eríneas e muitas outras divindades gregas.
   Acho, sinceramente, que devemos voltar os olhos para o passado, não para cultuar os povos e deuses antigos cegamente, mas para realmente fazermos um esforço de entendê-los, e assim compreender o que está se passando conosco na era atual. Acredito que a razão pela qual a humanidade está vivendo tantas mudanças climáticas, está no fato de termos parado de valorizar a nossa história, os nossos costumes antigos e termos relegado Gaia e outros deuses ao esquecimento. Pois atrás de toda divindade está um ensinamento. Atrás de todo Deus está uma mensagem. Quem sabe se redescobrimos a mensagem de Gaia possamos recolocar a natureza nos trilhos?
   Sabemos o que fazer, mas sabemos como? Descobrindo como era feito antes, talvez possamos também descobrir o que virá depois...  Quem sabe a água nos conte, na Era de Aquário, os segredos há muito esquecidos, e tão necessários para a nossa sobrevivência na era moderna? Como dizem os praticantes da magia moderna, que assim seja e assim se faça, pelo bem de todos.

* Retirado da Enciclopédia Virtual Wikipedia, verbete Gaia (mitologia), no endereço http://pt.wikipedia.org/wiki/Gaia_(mitologia).
Vapaola
Publicado no Recanto das Letras em 07/01/2008
Código do texto: T806890

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Comentários
07/01/2008 18h16 - Americo Paz
Irônica Travessia. O próprio Universo está morrendo.

Sobre a autora
Vapaola
Belo Horizonte/MG - Brasil, 32 anos
20 textos (2051 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 25/11/09 09:53)

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