EXTREMA UNÇÃO
O pouco sol do fim ilumina as montanhas que já vivi.
Nelas, lutei contra horrendos monstros; alguns leais.
De seus picos, rolei sempre por tenebrosos precipícios,
Saindo cada vez menos ferido, mais forte e mais sábio.
Vejo agora que vão sumindo as profundas cicatrizes.
E os meus amores... Ahhhhh... os amores foi o que restou.
Elas vêm me rodear em longos braços perfumados !
Enchem meu quarto, acariciando o ocaso do meu olhar.
Todas estão comigo: umas aos pés, outra no travesseiro.
Então, entre silenciosas trombetas e cores ao vento,
o anjo me vem, trazendo em si minha luminosa coroa.
Na coroação tudo é névoa, com luz desconhecida,
onde todas as despedidas detonam minhas paredes...
Tudo some e vejo, ao longe, meu corpo virar pó,
mas volto à Grande Vida onde não há, onde não é.
...e ouço agora perto a doce e leve voz do eterno...
ronaldo fontoura
Publicado no Recanto das Letras em 05/11/2009
Código do texto: T1906295