Por gostar demais...
Por gostar demais deixei você se aproximar...
Deixei seu sorriso me estremecer e me viciar;
Deixei seu olhar me constranger e me consumir;
Deixei sua voz me cativar e invadir
todos os poros do meu corpo e me infectar.
Por gostar demais fui um ouvido para o seu lamento
e talvez inocente, uma fagulha para todo o sofrimento.
Mesmo em momentos em que mais ainda, confuso eu estava;
Mantendo a fortaleza a qualquer preço, eu lutava!
Mesmo que nas baixas de guerra jazesse algum sentimento.
Por gostar demais deixei você se afastar...
Logo quando notei que impedia o pássaro de voar.
Percebi que uma parte de mim não veria outro amanhecer,
e a parte que restou teria a missão de esquecer;
Enquanto construía uma máquina que pudesse no tempo voltar.
Por gostar demais me neguei a te ver partir...
Ainda que partindo contigo, foi minha vontade de sorrir.
Eu não suportaria ter a última imagem, um adeus,
mas mesmo sem um rosto a vi, indo, pertinho de Deus;
Desbravando a conquistar, inda eu, covarde a mentir.
Por gostar demais roubei de você este livro de história,
sendo punido com a sentença de te ver indo embora.
Certamente Deus não me deu o dom para escrever;
Eu teimoso, insisto em admirar o abismo e meu tempo perder.
Mas arrisco esta vírgula, no livro onde meu sorriso mora.
Marcelo Maia
Publicado no Recanto das Letras em 29/03/2007
Código do texto: T429579
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