Sentindo a ausência de sentimento
Fim de tarde, mais uma noite, uma paixão.
Uma paixão? Já é tarde, despede-se outra noite.
Inveje os sorrisos etílicos que assíduos freqüentam o chão;
Desdenhe a prateleira de lábios e vá até a próxima promoção.
Identidade roubada, talvez esquecida sobre algum balcão.
Obrigando-me do lado B, de mim, eternamente reviver,
instantes de sanidade, sobremaneira abjetos...
Objetos de vaga lembrança, em tempos de mansidão.
Junto à corredeira dos fatos desnecessários,
se perde no intenso fluxo algumas virtudes d’eu.
E embalado neste abrupto declínio molhado,
se desmancha meu barco de papel; mensageiro... Meu!
Sentindo a ausência de algum sentimento sequer,
ressinto os momentos que imagino algo a sentir;
Sem vínculos com o “eu” que não decide se quer,
tento salvar algo de promissor remanescente em mim.
Nos instantes eternos dos sonhos de alguém,
semeio flores púrpuras em um jardim exclusivo.
Inda correndo o risco de me tornar evasivo,
acendo uma chama, prenunciando o alarido...
INTENSO! Como o pulsar de um coração;
PRECISO! Como as mãos de um cirurgião;
SURPREENDENTE! Como o riso gratuito de uma criança e
INCONSEQÜENTE, quando não limito em mim, minhas crianças.
Marcelo Maia
Publicado no Recanto das Letras em 22/05/2007
Código do texto: T497286
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