Cura-me
Que sol é esse que nasce, mas não traz vida?
Que ilumina, mas não esquenta?
Que se espalha, mas não envolve a todos?
Sol exclusivo. Maldição pressentida.
Dias de solidão e morte anunciados.
Ao Norte, sonhos velados à luz do farol,
Cadente e trêmulo, descansem em paz.
Uma relíquia sagrada a enfeitar a estante,
Ao lado dos troféus invisíveis da vitória.
Moradia do impetuoso vento dos quatro cantos,
Que embarga a voz e liquefaz o suor sem glória.
Cura-me, cura-me!
Ecos de um som sem destino.
Remédio para um ego supersticioso.
Marcelo Maia
Publicado no Recanto das Letras em 11/04/2008
Código do texto: T941858
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