peito, abrigo
vem do peito o abrigo,
a insana moratória;
e o despejo da palavra atirada
que comenta e não resolve nada, me condena,
pois acalma...
os desejos, as feições que dizem nada,
vem de ações de pauta e colo aplicadas
como embriões da morte pré-pronunciada,
levam cabo meu sofrer tão sempre exposto,
resvalando no desejo de virada...
quando se fala de poder e sejuição
tanto se esconde, se empurra...
os ricos pobres das ruas,
compram carros e mendingam um trocado,
surgem homens tão valentes quÃo cercados...
o mundo não permite ninguém ser
por inteiro!
a palavra, gasta e magra torna som,
não faz música, ante arte, proferida num bordÃo...
e o que digo escrevo e olho
não é real, muito menos faz pedaço de mim...
é a parte intransigente, vÃ, normal,
de quem se deita com cabeça forma bruta,
tão cansado da insana desse todo,
que tende a graves, tão covardes, sem um dorso...
minhoto
Publicado no Recanto das Letras em 06/08/2008
Código do texto: T1115974
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