O tempo é lento e veloz...
Vejam como o tempo é lento
No sofrimento e na dor
Não gera o mesmo intento
Nas investidas do amor
O tempo é lento demais
Nas horas de agonia
Em proporções desiguais
Nas horas de alegrias
Vejam como se evaporam
As horas de felicidade
Contrárias às que devoram
O coração de saudade
Ó tempo! Porque castigas
Desta forma a humanidade
Mercê das coisas antigas
Adversas à mocidade
Ó tempo! Teus desvarios
Deixam lacunas na vida
Uns caminham por desvios
Outros na senda escolhida
Se o tempo tudo consome
Ele é o começo e o fim
Alfa e Omega, é a fome
Que ceifa a vida ao fim!
Ó tempo! Porque não deixas
Cada um escolher o seu
Não haveria mais queixas
As quais não chegam ao céu
Por isso finges sabê-las
Não dás trela p’ra ninguém
Estás nas coisas mais belas
E, nas mais feias também !
Ó tempo! Como és malvado
Não contemplas por igual
Uns só conhecem bom lado
Outros teu rigor do mal
Por isso que nesta vida
Tem tempo bom e ruim
E nunca está definida
E nem dosado teu fim
O tempo não volta a trás
O que passou já passou
É como fogo que jaz
Só cinza. O resto queimou
Tem tempo de nascimento
E o tem de vida e de sorte
A vida é só um momento
A eternidade a morte !
Dinho Matsuo
Publicado no Recanto das Letras em 05/11/2009
Código do texto: T1905703
 | Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Dinho Matsuo). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas. |