O Jogo da vida!!
No mar afogo a saudade
Ao vento lanço meus ais
Em ti, a minha amizade
Que cada dia cresce mais
Conheço a dor e a alegria
A felicidade, jamais
Se sou feliz por um dia,
No outro eu sofro mais
Arrisquei numa cartada
A decisão de uma vida
E na ambição desgraçada
Tive a esperança vencida
Feito pó, essência minha
Divaguei na solidão
Perdi mesmo o que não tinha
Só não perdi a razão
Vivi sonhos acordado
Vi o infinito sem fim
E no silêncio, cansado...
O que restara de mim !
Perturbado. Paz perdida
Ausente do corpo a alma
Nenhuma missão cumprida
Não há louros, nem há palma
Indago à minha essência
Uma sábia resposta
Se meu cérebro tem consciência
Da pobre matéria exposta
Perdido pelo destino
Perdi-me dentro de mim
Esgotado em desatino
De uma esperança sem fim
Minha sombra já não espera
Como esperava por mim
Terminou a primavera
Chegou o inverno por fim
Tudo era lindo e risonho
Como as flores do jardim
Agora tudo é medonho
Como medonho é o fim
Os mistérios deste mundo
Escondem enigmas mil
São um oceano profundo
Uma gruta, um covil
Pobre do homem que sonha
Na vida encontrar consolo
Só não tem regras a fronha
Onde descansa o miolo
Os jovens ficam macróbios
Embora pensem que não
Viram a noite, são licnóbios
Perdidos em confusão
O vil prazer, rende pouco
Logo se perde de mão
Por vezes lúgubre e louco
Deixa pranto e solidão
Desfaz-se o alento enfim
Nos sorrisos da ventura
Na vida tudo tem fim
Porque ela mesma... não dura !
Dinho Matsuo
Publicado no Recanto das Letras em 05/11/2009
Código do texto: T1905711
 | Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Dinho Matsuo). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas. |