Texto

"A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DAS COISAS..."


I - A SIMPLICIDADE DAS COISAS

Ao raiar do sol
revela-se o paraíso
iluminado, ameno
sensível, moreno.

No jardim: Suave
a gota d'orvalho cai
da fina folha de orquídea.
O colorido das tulipas
A fragância da dama-da-noite
O lírio, o cravo e a rosa...
- Quando, um espinho toca
a mão pequena da menina.

Ao fundo, no pomar
o fruto verde da palmeira.
O sabiá come papaia
O esquilo ligeiro
agita o galho de ingá.
- Que delicia... as manhãs frias
da doce Maringá!

De tão azul o céu é doce
De tão azul o mar é verde
De tão verde a selva é azul
lá de cima se vê:
azul azul azul...

- Um colorido vivo, que revela
a simplicidade das coisas.

II) O BARULHO DAS COISAS

As coisas e o barulho que elas fazem:
A folha seca que despenca
na água límpida do rio.
As borbulhas dos peixes assustados
com o movimento do feroz jacaré.

Se cai o anzol na água
espalha-se o cardume...
no vaivém das ondas
nas encostas das ilhas
nas curvas dos rios
nos caracóis vazios
os peixes se amam!

Ao meio-dia... O cisne
que voa rasante, alheio
toca a água com os pés.
A garça, deixa cair suavemente
uma pena branca no aguapé.

A cobra d'água, parece flutuar
entre as vitórias-régias.
Na areia, parte-se o ninho
libertando para a vida
dezenas de tartaruguinhas.

Bem longe, na savana
o leão ruge feroz
foge a gazela, o albatroz...
O imóvel elefante
enrola a tromba no marfim.
Tigres, girafas, zebras...
como é bela a natureza?

- Um barulho quase imperceptível
toca o silêncio das coisas.

III - A LEVEZA DAS COISAS

Quando o sol se perde
O vento se esconde
O caipira guarda a viola
O mundo sonha em azul...

Dependurados nas árvores
os pássaros adormecem:
na casinha, o João-de-barro
no tronco seco, o pica-pau
outros, entre folhas e ramos...
O beija-flor, na leveza
do ninho de algodão.
Os mais rústicos, até mesmo
em um buraco no chão.

- Um silêncio insustentável
vigia a leveza das coisas.




Ribeiro de Castro
Publicado no Recanto das Letras em 05/11/2009
Código do texto: T1906247
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Comentários
22/11/2009 13h16 - Helena Frenzel
Não sei se me enganei... Tive a impressão de já ter lido aqui no seu cantinho o "Barulho das Coisas" separadamente, lembro da cobra-dágua deslizando... Sim, não importa. Nesse espírito bucólico escrevi o meu "Ápices". Do jeito que brotou, registrei... Se puder ler e me dizer o que sentiu, seria legal. Abraços! :-)
22/11/2009 12h42 - Helena Frenzel
A natureza é assim, nos enleva, enleia e eleva... nos tira da categoria de mero... pó estelar. Numa primeira leitura, só posso concordar com os colegas que antes de mim comentaram: lindo poema! Para um comentário mais detalhado, mais atento, necessito tempo. O encadeamento dos temas dá um novo sentido. Havia lido já alguns separadamente, como o barulho das coisas. Neste contexto maior, ficou muito melhor. Quando puder, dou retorno de uma segunda leitura. Um abraço fraterno, boa semana pra você, poeta :-)
20/11/2009 07h00 - Rejane Chica
O barulho das coisas está hoje no... cuidandonossocanteirointerior.blogspot.com abração, obrigado,chica

Sobre o autor
Ribeiro de Castro
São Paulo/SP - Brasil, 45 anos
17 textos (374 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 27/11/09 11:41)

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