Meu vazio interior
Sinto que sou totalmente vazia!
E vejo que não há um só objetivo neste meu jogo de vida
Analisando minhas jogadas passadas
Vejo que somente houveram erros por cima de erros
Presto atenção em minhas decisões
Percebendo que não possuiam fundamento algum
Olho para trás, e só o que vejo é inconseqüência
Posso sentir outra vez a dor, a angustia
De cada sofrimento, de cada tropeço
Olho para mim e nada vejo
Além do vazio em que me converti
Olho pros lados, grito cada vez mais alto
Mas ninguém aparece
Ninguém me ouve, ninguém pode me ver...
Então somos apenas eu e o imenso vazio
Minto a mim mesma, dizendo que sou feliz
Minto dizendo que vivo
Dizendo que sou alguém especial
Minto achando que sou importante pra alguém
Minto pra mim mesma
E quando começo a não acreditar mais em minhas próprias mentiras
Tranco-me dentro de mim
Pinto meus olhos de preto pra esconder a tristeza e a decepção
Aumento o volume da música
E escolho a mais forte pra tocar
A mais cheia de raiva e fúria
Pra não escutar mais nada do que dizem meus pensamentos
Minha consciência...
Pra não ouvir a verdade
E se ainda não é o suficiente pra calar essa maldita voz
Paro de correr
E mesmo com ela lá a perseguir-me
Concentro-me, à observar o sangue tão intrigante
À escorrer dos dedos até a palma da mão
Cada vez mais vibrante...
Então a dor física me distrai da outra
Finalmente estou pronta pra voltar a mentir
Pra fingir acreditar em mim
Até quando eu puder agüentar
Se eu puder agüentar
Mas a cada vez é necessário muito, muito mais pra me distrair...
Suen Li
Publicado no Recanto das Letras em 16/05/2008
Código do texto: T991571
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