FELIPE, Capítulo XIX
Eu vi o menino Felipe
De mãos no bolso e sem bagagem,
Voltava da Europa distante,
Após um ano de viagem.
Julgou-se já em sua casa
Quando aportou o Oriana.
De mãos no bolso e sem bagagem,
Regressa à terra da banana.
“Cubatão de eras históricas,
Que teve até Porto Geral,
Só às terças, quintas e sábados,
Corre um trem nesse ramal?”
Era sexta, não havia trem!
Era folga do maquinista.
E ele então pisou cada dormente
Como se uma escada infinita!
Beirou os valos bem verdinhos
Todos de musgos recamados.
Com o seu chapéu de aba larga
Que o vento ousou sem dar recados!
A serra mostrava-se inteira,
O vento varrera a cerração.
O olaria é meio caminho,
Lá da Europa à Cubatão.
E segue o menino Felipe
Entre o verdor daquela mata,
Que tinha garças e socós
E até um cão vira-lata.
Segue mais, mais e muito mais,
Um estirão a mais, e a ponte!
Negra como a noite já tingia,
A tênue linha do horizonte.
Do outro lado, a sua casa,
No meio das tangerineiras,
Era um chalé cor-de-rosa
Tomado por mil trepadeiras.
Ajuntando as folhas caídas,
No quintal estava a sua madre.
Já com mais brancos nos cabelos,
Do que os cirros daquela tarde.
_ A benção mamãe, disse ele,
Com seu jeito todo gaio.
_ Então é você seu mestre?
A benção, respondeu-lhe de soslaio!
Esta é a minha homenagem ao escritor Cubatense, Afonso Schmidt pelo seu 118º aniversário de nascimento
que ocorre em 29 de junho. (Baseado em texto publicado no Portal de Cubatão sobre o livro : "O menino Felipe" do autor.)
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28/06/2008
JOSÉ ALBERTO LOPES
Publicado no Recanto das Letras em 28/06/2008
Código do texto: T1055721
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