DIAS DE SOL, NOITES DE CHUVA
Amor e deprê
Não combina.
O amor nem sente os pés,
A deprê quer o fundo da piscina.
Amor procura o canto escuro à luz de velas,
A deprê o fundo do mar das caravelas...
Enquanto o amor recita Florbela Spanca
A deprê, no ap., sozinha se tranca.
No amor qualquer palavra é motivo de riso,
Qualquer verso é motivo de canção;
Na deprê uma vírgula é de perder o juízo,
Poesia?, na deprê é solidão...
O amor enxerga cores onde parece cinza,
Vê qualidades onde até pode haver defeitos;
A deprê, com olhos de lince pinça
A imperfeição onde tudo é perfeito.
O amor sobrevive à qualquer tempestade,
Enfrenta o caos e não se deixa abater;
A deprê aprecia a maré alta que lhe invade
E jura que quer viver mesmo depois de morrer.
Preto Moreno
Publicado no Recanto das Letras em 04/07/2008
Código do texto: T1064767
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