Texto

O SABIÁ-LARANJEIRA

       À que se me vai em gorjeios

Não por mim... Na minha casa,
Em gaiola bem talhada,
Um sabiá-laranjeira
Vive preso e faz morada.

Ele tem canto canoro,
Uma lindeza seu canto.
Porém, coitada da ave,
Faz de hiatos outro tanto.

Canta que canta, depois,
Por horas, larga a paisagem.
E eu sinto o fel da saudade,
Que o gorjeio é tua imagem.

Como punhal no meu peito,
Um silêncio tão cortante
Faz-me antever que tal pássaro
Capta o martírio do amante.

No cantar do passarinho,
Como que vejo o teu vulto
Num halo tão musical
Que me caio mais estulto.

Não por mim... Por tua ausência,
O sabiá-laranjeira,
Mesmo estando escravizado,
Traz-me tu, todinha, inteira!...
                                   
                       Fort., 04/07/2009.
Gomes da Silveira
Publicado no Recanto das Letras em 04/07/2009
Código do texto: T1682005

Copyright © 2009. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Indique para amigos
Denuncie conteúdo abusivo

Comentários
29/08/2009 19h07 - Léia Carmona
Parabéns pelo trabalho!
06/07/2009 20h22 - Macris
Aplausos, poeta!
04/07/2009 21h25 - Consciência Política
É... o sabiá lhe faz lembrar do antigo amor. Magistral o seu falar, companheiro! Sinceramente, chego a invejar a sua escrita... quem dera ter uma igual. Se eu tivesse, juro que com um certo poder criativo que tenho, nem Chico Buarque me aguentava, eu mandava Drummond catar minhoca no asfalto. Mas é isso mesmo: tá ruim, mas tá bão. Eu só não tou gostando do Tio Sam da foto. O amigo pirou? Se tiver precisando, tenho um estoque de gadernal aqui em casa guardado. Envio pelo correio. Ah!, eu lhe mandei um e-mail. Abraços POETA.

Sobre o autor
Gomes da Silveira
Fortaleza/CE - Brasil
608 textos (16030 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/11/09 02:15)

Como anunciar aqui?