Confissão
Confesso que te amo, que te quero e te desejo.
Confesso que há muito privei meu coração desse sentimento,
porém, sem entender o porque para você me entreguei.
Confesso que sei que te feri e por vezes, até houve a intenção.
Talvez para massagear o meu ego, talvez só para te ver chorar e
senti-la frágil como uma criança e assim satisfazer o meu desejo de protegê-la,
ou ainda, simplesmente para mostrar-lhe que também sabia ferir quando me feria.
Confesso que por muitas vezes acreditei que sentia ciúmes de mim, e
que quando chorava, você chorava por mim e que suas lágrimas não
eram lamentos de ilusões que por muito tempo foram alimentadas em vão.
Confesso que tomava tuas lágrimas num cálice de vitória, saciando assim,
minha sede de vaidade, impondo a você aquilo que acreditava ser a verdade.
Confesso, que por muitas vezes pensei em ir embora,
deixar tudo, mas não o fiz.
Confesso que fiquei por você, mas muito mais por mim.
Confesso que alimentei a cada instante o meu egoísmo
tentando esconder de mim os meus medos e inseguranças.
Confesso que alimentei isso para não matar aquilo que não compreendia o que era.
Alimentei isso, para tentar não deixar você se apegar,
para não destruir os castelos que você tentava construir sobre a areia do meu mundo,
para não alimentar os sonhos que você acreditava quando dizia me amar.
Confesso que sou o pior ser humano que cruzou o teu caminho, mas,
fiz tudo isso, para evitar que me amasse e assim evitar te ferir ainda mais.
Confesso que quis te afastar.
Mas, tenho que confessar que falhei e mesmo lutando contra tudo isso
não pude impedir de por você o meu coração se apaixonar.
Homem de Mil Almas
Publicado no Recanto das Letras em 08/11/2009
Código do texto: T1911340
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