SEM ADEUS
Monitoram seu corpo
na maca do hospital,
não há vagas.
O cartaz diz silêncio,
mas no corredor há
um atropelo de gente.
Pacientes, de um lado.
Familiares, na antessala.
A sala de cirurgia fechada
- a medicina fracassa.
Olhares perdidos,
palavras fortuitas,
um lugar frio.
Os passos da enfermeira
invadem a dor.
Apenas um aceno
ao sofredor.
Havia um jovem perambulando.
Suas mãos afligidas
suavam com a separação.
Sem um adeus,
o amigo partiu.
No coração, a saudade,
na alma, a sofreguidão,
no espírito, a tristeza.
São Paulo, 30 de junho de 2009.
Marcela de Baumont
Publicado no Recanto das Letras em 03/07/2009
Código do texto: T1680096
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