FLAGRANTE
Não mais que de repente,
Flagrei-me a meditar
Sobre as palavras esculpidas
Nesta folha de papel,
De uma brancura densa,
Estagnada à minha frente
Sem nenhuma recompensa,
Cúmplice dos pensamentos,
E das minhas emoções.
Contudo, não a vejo afoitar-se,
Manifestando qualquer aflição,
Sequer, expressando agitação.
Permite-me empunhar as mãos
Calejadas do digno ofício,
Que sem nenhum sacrifício,
Ali, ao entardecer do dia,
Possa fragmentar os sonhos
Envelhecidos nas minhas razões,
Repousando atrás das cicatrizes
Que se afunilam com ardileza,
Capturando da adolescência
A infinita ilusão de beleza,
Exaltando nas entrelinhas
O lamento de uma alma triste.
Autor: Marcos Aurélio Mendes Cerqueira
*DO INÉDITO LIVRO: ENTRESONHOS*
Data: 02/06/2009.
Marcos Aurélio Mendes Cerqueira
Publicado no Recanto das Letras em 03/07/2009
Código do texto: T1680440
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