O Espelho Quântico do Mundo Antropofágico
Eu sou aquilo que você não quis
E tudo aquilo que você quer ser.
Meu gosto tem sabor de desgosto,
Quando, indigesto, engulo você.
Construímos juntos, e não condiz,
Nada daquilo, com o seu querer.
Meu olhar é violento e impetuoso;
É o invólucro da lua, ao anoitecer.
Tu sabes que não tens como evitar
A morte do predestinado a nascer.
E não consegues completar a vida
Da morte inesperada do nosso ser...
Tão dolorosa é a saudade que sentes
De tudo aquilo que nem aconteceu.
Então, me culpas e intrigas, severamente,
Pra se perdoar de tudo que perdeu...
À noite, carrego as suas vis palavras,
Peso maior, eu sinto – o silêncio no cais...
Refreio os desejos, impacientemente,
Não suporto mais viver nessa falsa paz...
Eu recorto o seu corpo por inteiro
E mastigo-o, suavemente, no café;
Como cada pedaçinho, bem ligeiro,
Assim como você comeu a minha fé,
Na angústia de querer sempre mais...
Tarcísio Bispo de Araújo
Publicado no Recanto das Letras em 03/07/2009
Código do texto: T1680543
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