Texto

Serenata.

    As vezes pego a minha viola e com ela violo os meus mais íntimos sentimentos. E ate a própria lua se espanta com minha maneira de violar, e fico assim por horas e horas cantando tudo que minha pobre alma chora, ate que no cansaço do corpo e já com tom um tanto rouco na minha voz, sinto que preciso parar, pois o sol já se anuncia por sobre a serra como que dizendo para esta cena se encerrar.
    E ai eu durmo justamente quando é hora de acordar, pois troco o dia pela noite, uso os meus versos como açoite como se isto pudesse de uma certa forma ensinar, este tal coração rebelde que ainda não aprendeu as manhas e que agora nem bate, só sabe mesmo é apanhar. Mas de tudo isto eu tiro proveito, pois em vez de deitar no leito e ficar sempre a chorar, eu transformo tudo aquilo que me magoa e mata, numa bela e sentida serenata.
DIASMONTE
Publicado no Recanto das Letras em 03/07/2009
Código do texto: T1681072
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Comentários
07/07/2009 20h16 - Ivan Ferretti Machado
Isso cantado deve ser maravilhoso. Parabéns nobre poeta pela sencibilidade que alcanças em suas poesias. Milhões de parabéns.
05/07/2009 10h05 - Rubo Medina
Embora triste, o poema tem uma melodia suave, envolvente. Abraços, Diasmonte.

Sobre o autor
DIASMONTE
Belo Horizonte/MG - Brasil
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