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A-FINADO RÉQUIEM

A-FINADO RÉQUIEM

Vi pessoas na fila entrando no cemitério.
Vi flores sem sorte enfeitando a morte.
Vi rostos tristes contritos em prece
Vi velas acesas iluminando quem padece.
Vi soar de sinos no repique dolente
Vi o padre rezando missa
Vi a missa revezando o padre
Não vi defunto acordado
dizendo do seu agrado pro seu parente.
Não vi vivalma no cemitério
exceto vivos a comemorar A-finados hinos,
quem morreu.
Incomodado,
não vi meus sonhos matados
nem  meus ideais morridos encontrei na cova
dos amores que matei em mim
sequer lembranças restam na minha alcova.
Confinados, meus sepulcros
caiados resguardam meus pecados.
Lá fora é finados
aqui dentro, reino encantado...
Rego neste dia, vazos de saudades,
margaridas desfolhadas da sorte
que a morte de mim levou...
Rezo neste dia,
ao pé da minha lápide interior adornada
de saudades cor púrpura...
Sem padre, sem missa, sem flores, sem hissa:
Afinado réquiem desta aventura de morrer em vida...



CARLOS SENA
Publicado no Recanto das Letras em 05/11/2009
Código do texto: T1905784

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Comentários
07/11/2009 00h32 - Giustina
Linda a comparação da morte física e do enterro dos sentimentos! A morte das ilusões, dos planos, da esperança é que fazem a verdadeira morte em vida e esta é muito sofrida e traumatizante. Deixei um comentátio no teu artigo sobre OS RECANTISTAS. Abraços.
06/11/2009 16h18 - Orquídea azul
Lindíssima tua poesia, embora seja um tanto triste...bjs!

Sobre o autor
CARLOS SENA
Recife/PE - Brasil, 58 anos
60 textos (1061 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 26/11/09 08:34)

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