Texto
Silêncio dos olhares
Cegueira das palavras
Pensamentos sem sabores
Essa inanição da vontade
Desejos inaudíveis
Esse prazer sem faro
Absurda sinestesia de existir
Esse último passo
Em nenhum caminho
Sonhos de distâncias
Grito, um grito súbito
Da alma incendiada
Um tormento repentino
No desatino dessa dor
Que tem que doer assim
Silenciosamente
Uma poesia quase sem luz
Na escuridão dos poemas
Essa cegueira incurável
De todas as palavras
Calar... de vez calar
Perder todos os olhares
Vomitar pensamentos
Deixar morrer a vontade
Na fogueira do desejo
E no cheiro desse prazer
Mas não, não e não
Esse grito preso na garganta
Essa mórbida mudez
Nessa noite tão triste
Onde quase nada brilha
E se acaso brilhar
Não tem cor
Marcos Lizardo
Publicado no Recanto das Letras em 06/11/2009
Código do texto: T1909370

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Comentários
Marcos esta poesia sim tem luz! Parabéns e um abraço.
06/11/2009 23h19 -
Um silencioso lamento da alma na solidão peculiar... Poesia pura! Meus parabéns!

Sobre o autor
Marcos Lizardo
São Paulo/SP - Brasil, 47 anos
262 textos (3355 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 27/11/09 03:05)

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